Encontrar um homens

A nova face de Arya Stark

2020.11.25 22:25 altovaliriano A nova face de Arya Stark

Texto original: https://radiowesteros.tumblr.com/post/91445666263/aryas-new-face-jeyne-poole
Autores: Lady Gwynhyfvar e Yolkboy
Título original: Arya’s New Face – Jeyne Poole?
O texto abaixo é uma tradução.
Os trechos de Os Ventos do Inverno foram retirados da tradução feita pelo Portal Gelo & Fogo.
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É difícil prever o que o futuro reserva para Arya, mesmo depois de ler o capítulo Mercy de Os Ventos do Inverno. Com tão poucas pistas para seguir, pode valer a pena usar a lógica narrativa para reunir ideias e, em seguida, ver se o texto as corrobora.
A identidade é um tema enorme nestes livros para muitos personagens, mas é especial no caso de Arya, que teve dezoito nomes e personas diferentes até agora. GRRM gosta de abordar a questão da identidade de todos os ângulos, e cada livro revela uma nova camada sobre o tema – desde personagens renascidos com seus ‘eus’ alterados até Bran entrando em Hodor. A identidade está tão ligada ao arco de Arya que pode ser uma boa ideia refletir sobre como GRRM pode avançar sua história promovendo este tema – levando Arya e identidades a um novo nível.
Junto aos homens sem Rosto, Arya vem usando faces de mortos, de modo que parece provável que sua associação a novas identidades aconteceria neste contexto. É interessante ponderar qual novo rosto Arya poderia acabar usando, especialmente quando retornar a Westeros, o que não apenas avançaria o tema da identidade, mas também forneceria as mais intrigantes oportunidades narrativas. Inquestionavelmente, a mais poética identidade que Arya poderia adotar (e que melhor conviria às dinâmicas de uma história fascinante) seria a da "falsa Arya" - Jeyne Poole. Depois de examinar A Dança dos Dragões e os capítulos liberados de Os Ventos do Inverno, a oportunidade de Arya usar o rosto de Jeyne parece absolutamente plausível.
Pra começar, os Homens Sem Rosto de Braavos precisariam obter o rosto de Jeyne, o que exigiria que ela fosse para Braavos em um futuro próximo. Em ADWD, Jon acredita que Arya havia chegado à Muralha. A verdade, era Alys Karstark. Mas antes de perceber isso, Jon pensa que sua 'irmã' "não estará a salvo" e que "a Muralha não era lugar para uma mulher, muito menos uma garota de nascimento nobre".
Sua primeira ideia para manter a garota segura é mandá-la para Braavos com o representante do Banco de Ferro:
Ela poderia ir para Bravos com Tycho Nestoris
Tycho está voltando para Braavos, e há lógica em enviar 'Arya' para longe de Westeros e da Muralha. Para a Cidade Livre mais próxima, um lugar relativamente seguro e civilizado ainda intocado pela guerra. Alys se aproximando da Muralha em um cavalo moribundo é um claro paralelo com Jeyne Poole, que em Os Ventos do Inverno está fazendo exatamente a mesma coisa. Ainda mais intrigante é que ela já está na companhia de Tycho Nestoris, que planeja seguir para Braavos com Justin Massey assim que chegarem à Muralha.
Stannis assentiu. “Você escoltará o banqueiro bravosiano de volta à Muralha. Escolhaseis bons homens e leve doze cavalos.” [paralelo com Alys em seu cavalo moribundo]
...
O rei não se divertiu. “Quero que tenha partido antes do meio-dia, sor. Lorde Bolton pode estar sobre nós a qualquer momento, e é imperativo que o banqueiro retorne a Braavos. Deverá acompanhá-lo para além mar estreito.”
...
Oh, e leve a menina Stark com você. Entregue-a ao Senhor Comandante Snow no caminho a Atalaialeste.”
Após o assassinato de Jon, é muito provável que a Muralha se torne mais perigosa do que nunca. Alysane Mormont está acompanhando (f)Arya. E parece muito improvável que ela abandone a jovem (que ela acha que é Arya Stark) em circunstâncias tão perigosas. A escolha mais lógica, que já poderia ter sido prenunciada pelos pensamentos de Jon […], seria mandá-la para Braavos.
Se (f)Arya for para Braavos, ela então precisaria 'suplicar a dádiva' na Casa do Preto e Branco para que os Homens Sem Rosto tomassem sua face. Pelo que sabemos de Jeyne, isso seria completamente plausível. Ela parecia uma garota feliz no início dos livros, então foi forçada a se prostituir e, em seguida, sofrer abusos horríveis e indizíveis nas mãos de Ramsay Bolton. Embora ela tenha escapado, seu tormento interior não está nem perto de ser resolvido. No capítulo liberado de Theon, percebemos que Jeyne deve continuar a se passar por Arya – ela está presa na pior crise de identidade imaginável. Jeyne não consegue se livrar do passado: ela é forçada a ser alguém que não é, alguém que realmente sofreu. Vemos como isso a afeta:
"Jeyne Poole chorara por todo o caminho de Winterfell até aqui, chorara até que o rosto ficar púrpura como uma beterraba e as lágrimas congelarem nas bochechas, e tudo porque ele dissera que ela devia ser Arya"
Este tormento psicológico não é a única fonte de dor de Jeyne. No capítulo liberado, o nariz dela está congelado:
"Quando a ponta do nariz dela ficou escura pelo congelamento, e um dos cavaleiros da Patrulha da Noite lhe dissera que ela poderia perder um pedaço dele, Jeyne chorara por isso também."
Jeyne está chorando sem parar, sua mente está em ruínas e seu rosto está prestes a ficar desfigurado. Esta é uma garota que era amiga de Sansa, e provavelmente sempre imaginou se tornar uma jovem atraente conforme crescesse. Ela afirma em A Dança dos Dragões que sempre foi bonita.
Então Jeyne Poole tem dois grandes motivos para visitar a casa de Preto e Branco e pedir "a dádiva", caso ela vá a Braavos. Isso forneceria aos Homens Sem Rosto um rosto muito valioso – e, a GRRM, abundantes oportunidades narrativas para Arya.
Theon garante a Jeyne que "ninguém" vai se importar com a aparência de Arya. No capítulo Mercy, vimos com a frase de Raff ("Está cega, menina?") que GRRM gosta de jogar com o nome de Arya, e esta seria outra de suas peças, usando a palavra 'ninguém':
"Ninguém vai se importar com a aparência de Arya, desde que ela seja herdeira de Winterfell,” ele garantiu.
Se Arya usar o rosto de (f)Arya e retornar a Westeros, o potencial narrativo é realmente fascinante. As possibilidades que essa situação traria são quase infinitas. Contudo, Arya aparecer como Jeyne e depois encontrar Sansa provavelmente seria o ápice em termos de dinâmica. GRRM teria feito o tema da identidade chegar a um novo nível. Jaqen H'ghar posando como Pate nos mostrou que tomar um rosto é uma sedução [glamour] corporal completa, em vez de apenas usar um rosto. E com a logística e citações textuais fornecidas aqui, não vemos nenhuma razão pela qual Arya Stark não poderia um dia se tornar (f)Arya Stark.
(Tema discutido no Episode 01: Arya- A Gift of Mercy do Radio Westeros)
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2020.11.20 15:15 BlindEyeBill724 Praeambula Fidei, artigo do Prof.Edward Feser

Praeambula Fidei, artigo do Prof.Edward Feser


Segue a tradução do artigo do Prof.Edward Feser em torno do Praeambula Fidei (por que isso é importante à apologética cristã, ver o post introdutório deste subrredit¹), encontrado originalmente em → http://edwardfeser.blogspot.com/2012/01/point-of-contact.html, com alguns outras traduções contextuais para que o leitor tenha acesso facilitado. Também realizarei alguns comentários quando julgar pertinente, espero que aproveitem algo (os comentários seram precedidos de CT, comentário do tradutor).
PONTO DE CONTATO
Bruce Charlton identifica seis problemas para os apologistas cristãos modernos² e propõe uma solução. Suas observações são todas interessantes, mas eu quero me concentrar no primeiro e mais fundamental dos problemas que ele identifica, que é que o conhecimento metafísico e moral que mesmo os pagãos tinham no mundo antigo não pode mais ser tomado por certo:
O cristianismo é um salto muito maior da modernidade secular do que do paganismo. O cristianismo parecia a conclusão do paganismo - um ou dois passos adiante na mesma direção e construindo sobre o que já estava lá (na cosmovisão clássica, CT): as almas e sua sobrevivência além da morte, a natureza intrínseca do pecado, as atividades de poderes invisíveis e assim por diante. Com os modernos, não há nada sobre o que construir (exceto talvez memórias de infância ou realidades alternativas vislumbradas através da arte e da literatura).
Desse problema seguem-se muitos outros, continua Bruce:
O Cristianismo moderno, conforme experimentado pelos convertidos, tende a ser incompleto - precisamente porque o Cristianismo moderno não tem nada sobre o que construir. Isso significa que o Cristianismo incompleto moderno carece de poder explicativo, parece ter pouco ou nada a dizer sobre o que parecem ser os principais problemas da vida. Por exemplo, o Cristianismo moderno parece não ter nada a ver com política, direito, arte, filosofia ou ciência; habitar um reino minúsculo e cada vez menor, isolado das preocupações diárias. O cristianismo moderno frequentemente exclui milagres; pecado original; o nascimento virginal, a encarnação e a natureza dual de Cristo; A morte, ressurreição e expiação de Cristo; a Santa Trindade; anjos, demônios e guerra espiritual invisível e assim por diante - mas sem esses e outros elementos, o cristianismo não se mantém unido nem satisfaz o anseio humano.
E
O Cristianismo moderno muitas vezes parece superficial - parece confiar demais no ditame das Escrituras e da Igreja - isso porque os modernos carecem de uma base nas percepções espontâneas da Lei Natural, do animismo, do senso de poder sobrenatural ativo na vida cotidiana. O Cristianismo moderno (após a primeira onda de experiência de conversão), portanto, parece seco, abstrato, legalista, proibitivo, não envolvente, sem propósito.
Como se costuma dizer, leia tudo. Acredito que haja muita verdade no que Bruce tem a dizer. Para ter certeza, nem por um momento penso (e presumo que Bruce não pense) que o Cristianismo realmente é "superficial", "incompleto", "seco", "sem propósito", desprovido de “Poder explicativo”, com “nada para construir” por meio de um terreno comum com a modernidade secular, etc. Muito pelo contrário. Mas concordo que pode parecer assim para muitas pessoas modernas. (Parecia mais ou menos assim para mim em meus dias ateus, antes de descobrir o que o Cristianismo, e em particular o Catolicismo, realmente disse - isto é, o que seus maiores representantes realmente sustentaram historicamente, em contraste com as distorções do cristianismo, seja liberal ou fundamentalista, que o substituiu em grande parte da opinião pública.)
O problema, em parte, é de circunstâncias históricas e culturais. Veja um exemplo simples, a descrição cristã de Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Para as pessoas modernas, esse tipo de conversa pode soar insuportavelmente piegas; na verdade, às vezes acho isso insuportavelmente piegas, a menos que o contexto seja capaz de neutralizar as terríveis associações culturais que passaram a cercá-lo. Portanto, se estou ouvindo uma referência a Jesus como Senhor ou Salvador no contexto da Missa (seja a forma extraordinária ou a forma ordinária celebrada de forma digna), isso não me incomoda de forma alguma; mas se o ouço proferido por um televangelista, sinto (talvez como um Dawkins ou um Hitchens sentiriam) uma necessidade irresistível de mudar de canal.
Pense, porém, nas associações que uma palavra como “Senhor” teria para alguém no mundo antigo ou medieval - faria lembrar um imperador ou um aristocrata. Pense no que "Salvador" significaria em um contexto cultural onde antigas comunidades locais estavam sendo engolidas por impérios implacáveis ​​e aparentemente invencíveis, e onde sistemas morais rigoristas como o estoicismo e o neoplatonismo competiam pela lealdade da intelligentsia - isto é, digamos, onde as pessoas tiveram uma sensação contínua de estarem em perigo físico real e de fracasso moral pessoal contínuo. Uma descrição de Jesus de Nazaré como "Senhor" e "Salvador" teria o reverso das conotações sentimentais e efeminadas que os secularistas ouvem agora - pode trazer à mente um Constantino severo cavalgando para o resgate a cavalo, digamos, em vez de um Mister Rogers com cabelo comprido e sandálias, pronto com um sorriso e um Band Aid para nossa estupidez espiritual.
Combine a política igualitária, a moral fácil e a riqueza relativa e a estabilidade social das últimas décadas, e poucas pessoas no mundo secular moderno estão procurando por um Senhor ou Salvador no sentido que os antigos e medievais teriam entendido. Adicione a isso o fato de que "Jesus é o Senhor!" tornou-se a expressão de uma religiosidade emocional e terapêutica veiculada por meio de camisetas, adesivos de para-choque e música ruim produzidos em massa, e toda a ideia é destinada ao secularista moderno a parecer ininteligível e repulsivamente cafona. (Raspe um Novo Ateu e você frequentemente descobrirá que este é o tipo de coisa contra a qual ele está reagindo, e tudo o que ele conhece do Cristianismo.)
Então, isso é parte do problema. Mas isso pode ser remediado se os proponentes de uma forma de cristianismo muscular e intelectualmente rigorosa - ou seja, do cristianismo simpliciter, como existiu historicamente - redescobrirem sua herança ancestral. Com isso, eles redescobrirão também a herança do mundo pagão e encontrarão nela os recursos para se comunicarem com o homem moderno, na verdade com qualquer homem. Os aristotélicos e os neoplatônicos sabiam que Deus existe, sabiam que o homem não é uma criatura puramente material, sabiam que o bom e o mau são características objetivas do mundo e que a razão nos direciona a buscar o bem. Eles sabiam dessas coisas através de argumentos filosóficos que não perderam nada de sua força, argumentos que foram recolhidos e refinados por pensadores cristãos e que informaram a grande tradição escolástica.
Como o Papa Leão XIII expressou belamente em Aeterni Patris, os tesouros intelectuais dos pagãos são como os vasos de ouro e prata que os israelitas tiraram do Egito, prontos para serem empregados a serviço da verdadeira religião. Assim, a Escolástica, cujo renascimento esta encíclica promoveu, felizmente, adotou tudo o que era de valor no pensamento de gregos e romanos, judeus e árabes. Com filosofia como com arte, literatura e arquitetura, se você quiser aprender o que os maiores não-cristãos têm a oferecer, venha para a Igreja, que o absorve e protege - honrando nossa natureza divinamente dada e seus produtos, mesmo enquanto ela cria eles mais elevados pela graça. Ela lembra ao homem o que ele já sabe, ou pode saber, por meio de seus próprios poderes, antes de revelar a ele verdades que ele não poderia chegar por conta própria. Ela fala com ele em sua própria língua - a linguagem da teologia natural e da lei natural, que são, em princípio, acessíveis a todos, e não têm prazo de validade. Até os secularistas modernos conhecem essa linguagem, pois não são menos humanos do que seus ancestrais pagãos. O problema é que eles falam isso apenas no nível de escola primária ou mesmo no jardim de infância, enquanto o maior dos antigos pelo menos tinha proficiência relativa ao ensino médio. Mas, por meio da educação, eles, como os antigos pagãos, podem ser preparados para o trabalho de pós-graduação proporcionado pela revelação divina.
Esta é, obviamente, a ideia do que Tomás de Aquino chamou de praeambula fidei - os preâmbulos da fé, pelos quais a filosofia abre a porta para a revelação (onde a fé e a revelação, tenha em mente, corretamente entendidas, não são de forma alguma contrária à razão, mas um desenvolvimento - expliquei como na primeira metade de um post anterior³). Mas isso nos leva a outro problema. Como o fariseu que despreza a piedade e virtude sincera do samaritano, alguns cristãos desprezam a teologia natural e a lei natural como ímpias ou pelo menos questionáveis. Eles desprezam a natureza humana e, com ela, qualquer compreensão não-cristã de Deus e da moralidade, como algo totalmente corrupto e sem valor; ou eles estão dispostos, pelo menos verbalmente, a afirmar essa natureza, mas apenas se ela for efetivamente absorvida na ordem da graça, como o monofisista que está disposto a reconhecer a natureza humana de Cristo apenas se primeiro ela for completamente divinizada. Na primeira tendência, somente a fé e as Escrituras devem ser suficientes para trazer alguém ao Cristianismo, os preâmbulos que se danem. Sobre este último, a natureza humana é concebida de uma forma que (para tomar emprestado uma frase do Papa Pio XII) ameaça "destruir a gratuidade da ordem sobrenatural" ao elevar o natural ao sobrenatural, tratando de fato a teologia natural e a lei natural como se apenas o cristão pudesse entendê-los corretamente. Em ambos os casos, o cristianismo pode vir a parecer uma questão de mero diktat (como diz Bruce Charlton) - fideísta, inacessível e irrelevante para o mundo dos não crentes.
A primeira tendência, obviamente, está associada a Lutero e Calvino, embora seja justo reconhecer que há protestantes que resistiram a ela. Ao mesmo tempo, sua própria resistência é frequentemente resistida por seus correligionários, como é ilustrado por uma famosa disputa entre os teólogos protestantes do século 20 Emil Brunner e Karl Barth. Brunner argumentou que a teologia natural representa um "ponto de contato" entre a natureza humana e a revelação divina, pelo qual a primeira pode ser capaz de receber a última (embora mesmo Brunner qualifique sua noção de "teologia natural", para que não implique a certeza da existência de Deus apenas pela razão natural como é afirmado pelo catolicismo). Barth respondeu com raiva (em uma obra com o título conciso "Não!"), Rejeitando qualquer sugestão de que a natureza humana contribui com algo para o "encontro" entre Deus e o homem e argumentando que qualquer "ponto de contato" necessário foi ele próprio fornecido pela revelação, em vez do que a natureza humana. Isso é um pouco como dizer que a bola de bilhar A bate na bola de bilhar B ao atingir, não a superfície de B, mas uma superfície fornecida por A. Se for inteligível, isso apenas empurra o problema para trás: Como a superfície fornecida por A em si tem alguma eficácia vis-à-vis B? E como o “ponto de contato” fornecido pela própria revelação faz qualquer contato com a natureza humana?
Também é justo apontar que alguns pensadores católicos modernos têm opiniões que pelo menos flertam com a segunda tendência que descrevi acima - embora em parte sob a influência de Barth. Hans Urs von Balthasar procurou encontrar Barth no meio do caminho, rejeitando a concepção do estado natural do homem desenvolvida dentro da tradição tomista e central para a Neo-Escolástica promovida por Aeterni Patris de Leo (uma concepção que eu descrevi em um post recente sobre o pecado original). Nessa visão tradicional, o objetivo natural dos seres humanos é conhecer a Deus, mas apenas de uma forma limitada. O conhecimento íntimo e “face a face” da natureza divina que constitui a visão beatífica é algo a que não estamos destinados por natureza, mas é um dom inteiramente sobrenatural que se tornou disponível a nós somente por meio de Cristo. No lugar dessa doutrina, Balthasar colocou o ensino de seu colega proponente da Nouvelle Théologie Henri de Lubac, que sustentava que esse fim sobrenatural é algo para o qual somos ordenados pela natureza. Se é mesmo coerente afirmar que um dom sobrenatural pode ser nosso fim natural, e se o ensinamento de Lubac pode, em última análise, ser reconciliado com a doutrina católica tradicional da "gratuidade da ordem sobrenatural" reafirmada por Pio XII, há várias décadas tem sido assunto de feroz controvérsia. Mas a implicação aparente (mesmo que não intencional) da posição defendida por de Lubac e Balthasar é que não existe uma natureza humana inteligível à parte da graça e à parte da revelação cristã. E, nesse caso, é difícil ver como poderia haver uma teologia natural e uma lei natural inteligível para alguém ainda não convencido da verdade dessa revelação.
Relacionado a isso está a tendência de Etienne Gilson de tirar a ênfase do núcleo aristotélico do sistema de Tomás de Aquino e apresentá-lo como uma "filosofia cristã" distintiva. Como Ralph McInerny argumentou em Praeambula Fidei: Thomism and the God of the Philosophers, a posição de Gilson, como a de Lubac, ameaça minar a visão tradicional tomista de que a filosofia deve ser claramente distinguida da teologia e pode chegar ao conhecimento de Deus à parte da revelação. Essas visões, portanto, “involuntariamente [corroem] a noção de praeambula fidei” e “nos conduzem por caminhos que terminam em algo semelhante ao fideísmo” (p. Ix).
O livro de McInerny, junto com outras obras recentes como O Desejo Natural de Ver Deus de Lawrence Feingold de acordo com São Tomás de Aquino e Seus Intérpretes e Natura Pura de Steven A. Long, marcam uma recuperação há muito esperada dentro do pensamento católico convencional de uma compreensão da natureza e graça que já foi moeda comum, e à parte da qual a possibilidade da teologia natural e da lei natural não pode ser adequadamente compreendida. Nem, eu diria, outras questões cruciais podem ser apropriadamente entendidas à parte dele (como o pecado original, como argumento na postagem vinculada acima). A confusão entre o natural e o sobrenatural também pode estar por trás de uma tendência em alguns escritos católicos contemporâneos de enfatizar exageradamente os aspectos distintamente teológicos de algumas questões morais. Por exemplo, uma exposição da moralidade sexual tradicional que apela principalmente ao Livro do Gênesis, a analogia do amor de Cristo pela Igreja ou a relação entre as Pessoas da Trindade pode parecer mais profunda do que um apelo (digamos) ao fim natural de nossas faculdades sexuais. Mas o resultado de tal ênfase teológica desequilibrada é que para o não crente, a moralidade católica pode (novamente para usar as palavras de Bruce Charlton) falsamente "parecer confiar somente no ditame da Escritura e da Igreja" e, portanto, apelar apenas para o relativamente "minúsculo e encolhido reino” daqueles dispostos a aceitar tal afirmações. Não conseguirá explicar adequadamente àqueles que ainda não aceitam os pressupostos bíblicos da "teologia do corpo" do Papa João Paulo II ou de uma "teologia da aliança da sexualidade humana", apesar de seus méritos, exatamente como o ensino católico é racionalmente fundamentado na natureza humana, em vez do comando divino ou eclesiástico arbitrário. A graça não substitui a natureza, mas a aperfeiçoa; e um relato que enfatiza fortemente o primeiro sobre o último está fadado a parecer infundado.
O próprio falecido percebeu isso, quer todos os seus expositores o façam ou não. Em Memória e Identidade, ele diz:
Se quisermos falar racionalmente sobre o bem e o mal, devemos retornar a Santo Tomás de Aquino, ou seja, à filosofia do ser [ou seja, à metafísica tradicional]. Com o método fenomenológico, por exemplo, podemos estudar experiências de moralidade, religião, ou simplesmente o que é ser humano, e tirar delas um enriquecimento significativo de nosso conhecimento. Porém, não devemos esquecer que todas essas análises pressupõem implicitamente a realidade do Ser Absoluto e também a realidade do ser humano, ou seja, ser uma criatura. Se não partirmos dessas pressuposições “realistas”, acabamos no vácuo. (p. 12)
E no capítulo V da Fides et Ratio ele advertiu:
“Há também sinais [hoje] de um ressurgimento do fideísmo, que não reconhece a importância do conhecimento racional e do discurso filosófico para a compreensão da fé, na verdade, para a própria possibilidade de crença em Deus. Um sintoma atualmente difundido dessa tendência fideística é um “biblicismo” que tende a fazer da leitura e exegese da Sagrada Escritura o único critério de verdade
Outros modos de fideísmo latente aparecem na escassa consideração concedida à teologia especulativa, e em desdém pela filosofia clássica da qual os termos da compreensão da fé e da formulação real do dogma foram extraídos. Meu venerado Predecessor, o Papa Pio XII, advertiu contra esse descaso com a tradição filosófica e contra o abandono da terminologia tradicional.”
E o Catecismo promulgado pelo Papa João Paulo II, citando Pio XII, afirmava que:
A razão humana é, estritamente falando, verdadeiramente capaz por seu próprio poder natural e luz de alcançar um conhecimento verdadeiro e certo do único Deus pessoal, que zela e controla o mundo por sua providência, e da lei natural escrita em nossos corações pelo Criador. (par. 37)
Há uma razão pela qual o primeiro Concílio Vaticano, embora insistindo que a revelação divina nos ensina coisas que não podem ser conhecidas apenas pela razão natural, também ensinou que:
A mesma Santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, a fonte e o fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza a partir da consideração das coisas criadas, pelo poder natural da razão humana.
E
Não só a fé e a razão nunca podem estar em conflito uma com a outra, mas elas se apoiam mutuamente, pois por um lado a razão justa estabeleceu os fundamentos da fé e, iluminada por sua luz, desenvolve a ciência das coisas divinas ...
E
Se alguém disser que o único, verdadeiro Deus, nosso criador e Senhor, não pode ser conhecido com certeza das coisas que foram feitas, pela luz natural da razão humana: seja anátema.
E
Se alguém disser que a revelação divina não pode se tornar crível por sinais externos e que, portanto, os homens e as mulheres devem ser movidos à fé apenas pela experiência interna ou inspiração privada de cada um: que seja anátema.
E
Se alguém disser ... que os milagres nunca podem ser conhecidos com certeza, nem a origem divina da religião cristã pode ser provada deles: que seja anátema.
O objetivo de tais anátemas não é resolver por decreto a questão de se Deus existe ou se os milagres realmente ocorreram; obviamente, um cético ficará comovido, se for o caso, apenas por receber argumentos reais para essas afirmações, não pela mera insistência de que existem tais argumentos. Os anátemas são dirigidos ao cristão subjetivista e fideísta que rejeitaria a exigência do ateu de que a fé fosse dada uma defesa objetiva e racional e que, assim, faz do Cristianismo motivo de chacota. Pregar o cristianismo aos céticos sem primeiro definir o praeambula fidei, e depois reclamar quando eles não o aceitam, é como gritar em inglês com alguém que só fala chinês e, em seguida, descartá-lo como um tolo quando ele não o entende. Em ambos os casos, embora certamente haja um tolo na foto, não é o ouvinte.
________________________
¹- Em https://www.reddit.com/ApologeticaCrista/comments/jx3m63/uma_breve_introdu%C3%A7%C3%A3o_pessoal_%C3%A0_apolog%C3%A9tica_crist%C3%A3/
²- Os pontos de Bruce Charlton quais o Prof.Edward Feser se refere, e quais não cita em seu artigo são os seguintes:
  1. A ausência de judaísmo
O Cristianismo moderno tem que passar sem os séculos de tradição judaica desenvolvendo uma compreensão da natureza de Deus, os profetas e suas profecias, a vida devocional dos Salmos etc; mas os cristãos modernos têm que descobrir tudo isso do zero e por si próprios, e muitas vezes não conseguem.
  1. Confusão
A vida moderna é hedônica, distraída - frequentemente drogada. Consequentemente, as pessoas muitas vezes não sabem ao certo a natureza da vida. Além disso, nas últimas décadas, a cultura dominante tem sido ativamente contra o Bem. A arte moderna é anti-beleza, as filosofias modernas são anti-verdade, a moralidade moderna é uma inversão do Direito Natural. A propaganda (implícita e explícita) inculca que os ideais espontâneos dos humanos (religião nativa, diferenças sexuais, família, nação, lealdade, coragem) estão errados. Em suma, os modernos estão profundamente (deliberadamente) confusos sobre questões profundas. Portanto, os apologistas cristãos modernos têm que explicar a condição humana, a natureza básica da vida; antes de explicar como o cristianismo é a resposta.
  1. Inoculação anticristã
A cultura dominante agora se inocula especificamente contra o Cristianismo e os pré-requisitos do Cristianismo. Ele fornece argumentos prontos, fundamentados no hedonismo materialista moderno, para serem usados ​​contra todas as evidências ou etapas de argumentação que possam levar ao Cristianismo, se rigorosamente seguidas. A apologética cristã não pode avançar um passo sem eliciar esses slogans, e a impaciência moderna, a distração e um curto espaço de atenção fazem o resto. Que esses argumentos materialistas hedônicos sejam circulares, incoerentes e infundados é irrelevante na prática; porque eles efetivamente bloqueiam o desenvolvimento de uma metafísica alternativa da qual sua invalidade seria aparente.
3- http://edwardfeser.blogspot.com/2011/09/modern-biology-and-original-sin-part-ii.html
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2020.11.16 15:47 janos-leite Quando nos tornamos humanos?

Devemos considerar a humanidade como um produto da evolução? Esta questão gerou muita discussão. Desde a teoria da evolução, temos uma explicação científica para a origem das espécies, inclusive da espécie humana. Antes dela, o ser humano era considerado o ápice da criação. A ideia reconfortante de que o próprio criador do universo ama os seres humanos acima de qualquer outra espécie justificou que exercêssemos domínio sobre o resto da vida animal e vegetal desse planeta, tratando-os como seres auxiliares à nossa própria existência. Segundo certa interpretação teológica, Deus nos deu a posição de senhores da terra. Mas para a evolução somos apenas mais um habitante deste planeta. Cada espécie é um produto único e igualmente precioso da evolução.
De acordo com a teoria da evolução, a humanidade não é indispensável à criação. O mundo passou a maior parte de sua história sem algo humano. O humano é algo relativamente recente. Mais do que isso, o ser humano é o resultado de um processo não intencional. Significa que a humanidade não é o objetivo da evolução. Ela se origina de outras espécies, e poderá deixar de existir sem afetar a evolução da vida.
Neste sentido, se torna essencial à compreensão do que é o humano considerar não apenas seu funcionamento dentro de um sistema fechado, mas também qual a sua história biológica. Quando o ser humano passa a existir como tal? É possível responder a isso com precisão? O que podemos considerar como “humano”? Torna-se indispensável que avaliemos o conceito de humano, e que saibamos o que torna este ser único, para que possamos saber desde quando existe um ser assim.
A humanidade deve ser considerada como parte de um processo. Como tal, ela está em continuidade com a natureza, e não pode ser analisada em separado ou em oposição a ela. A concepção de humano que foi fortalecida durante a idade média foi a de que havia uma escala natural que partia dos seres “menos humanos” e prosseguia para os “mais humanos” até chegar ao ser humano como ele é.
Devido ao processo de mutação e seleção natural, não existe um destino biológico para a vida na Terra. O que temos hoje é resultado de inúmeras combinações. O que existem são possibilidades. O humano seria uma dessas possibilidades.
Segundo Dobzhansky, esta concepção não-determinista da evolução é extremamente otimista, uma vez que abre a história para a possibilidade de um futuro melhor. Por outro lado, essa ideia pode ser deturpada por grupos que defendem a superioridade de pessoas com certos genes. Essa ideia é equivocada porque qualquer interferência humana para beneficiar a permanência de um ou outro gene implica em seleção artificial, e não propriamente em evolução biológica.
Na seleção natural, os genes não são individualmente selecionados. Eles são selecionados porque fazem parte de uma combinação que forma uma característica benéfica. Grande parte dos nossos genes não tem expressão e não formam característica alguma. Mas esses genes continuam sofrendo mutação, e eventualmente podem se combinar para expressar uma característica benéfica. Se considerarmos os genes sem expressão, não podemos mais ver a evolução como uma corrente de elos igualmente conectados, porque os pontos a que temos acesso são apenas as expressões dos genes, não os genes em si.
Duas ou mais características podem se expressar num período relativamente curto de tempo, o que dificultaria muito encontrar os “elos perdidos”, ou seja, os indivíduos que ficam no meio-termo entre nós e nossos antepassados não-humanos. A evolução de uma espécie não é formada por uma simples mudança contínua, mas apresenta períodos de estabilidade e instabilidade, de maneira semelhante ao que ocorre com a temperatura da água na mudança de estados. Essa teoria é chamada de modificação pontuada.
A ideia de uma “escala evolucionária” que se inicia no macaco e termina em nós é na verdade uma acepção errada da evolução humana. Todas as espécies são igualmente evoluídas. O que nos torna únicos enquanto espécie não é a soma dos genes que carregamos, mas a relação deles entre si e com o meio. Não deixamos de ser primatas para nos tornar humanos, humanos ainda guardam mais proximidade biológica com os Bonobos do que os Bonobos com outros primatas.
De forma parecida, não podemos julgar com linearidade as diferentes culturas humanas. Temos hoje algumas teorias sociais que se baseiam em apreensões simplificadas, incompletas e errôneas da teoria da evolução. O darwinismo social, por exemplo. O termo “sobrevivência do mais apto” é um exemplo disso. O termo foi apresentado para tentar resumir a teoria, mas se tornou uma fonte de grandes deturpações e interpretações errôneas.
Alguns autores acreditam que o mundo natural é uma arena de competição acirrada e violenta, onde é preciso eliminar seus inimigos implacavelmente para sobreviver. Isso representa uma visão de mundo. Uma dessas deturpações foi criada por um parente e adepto de Darwin, Francis Galton. Trata-se da eugenia, a ideia de que a superação humana pode ser feita conscientemente, favorecendo a procriação de “homens superiores” e desfavorecendo a de “homens inferiores”:
“Durante o século XIX e o início do século XX, poderosas nações empenharam-se em constituir seus impérios coloniais. Enquanto os canhões e metralhadoras destruíam ou escravizavam os selvagens armados de arcos e flechas, era confortador pensar que se estava assistindo simplesmente a substituição de raças biologicamente inferiores por outras superiores” (DOBZHANSKY, 2010).
A eugenia ignora que as pessoas mais adaptadas a uma cultura não são necessariamente as mais adaptadas ao meio. O que o meio exige de nós não pode ser medido por meio de uma luta constante pela sobrevivência. A sobrevivência de uma população sobre outras não significa uma melhor adaptação biológica desta, uma vez que mesmo as piores adaptações podem parecer boas em contextos restritos. Seres domesticados, vivendo em confinamento, podem ter sua sobrevivência aumentada simplesmente por agradar o senso estético humano, por exemplo, comprometendo outras funções biológicas relevantes. A auto-seleção humana implica no mesmo tipo de equívoco.
Esta visão determinista acabou servindo de justificação científica para a desigualdade, a conquista e a exploração. Justificava-se a pirâmide de riqueza com a “ordem natural das coisas”: os superiores no topo e os inferiores na base. Mas se a “lei da natureza” fosse realmente da competição eliminatória, então a evolução não promoveria o aumento da diversidade, e sim o afunilamento em direção a um ser perfeito.
Isso seria claramente impossível, uma vez que a vida surge de uma unidade mínima, e não de uma diversidade de seres. Ela prossegue criando diversidade porque os seres se tornam interdependentes, ou seja, dependem muito mais da sobrevivência de seus parceiros que da morte de seus rivais. Mesmo as relações predatórias fazem parte de um contexto mais amplo de simbiose. Predador e presa não são inimigos. Qualquer interferência em um dos lados pode prejudicar ambos. Os ecossistemas têm um equilíbrio que só pode ser gerado por seus próprios elementos.
Seres humanos podem compartilhar experiências complexas por meio da comunicação. A desvantagem é que isso pode ser usado contra ele mesmo. Sua capacidade permite difundir rapidamente comportamentos benéficos ou maléficos, além de permitir a alienação: quando se decide priorizar o universo simbólico em detrimento da realidade que originou o símbolo.
Como a evolução humana não tem relação alguma com o progresso, não se pode dizer que haja estágios necessários para o cumprimento do destino humano. O que vamos nos tornar não pode ser determinado somente por nossas escolhas conscientes, mas também não pode ser determinado somente pelo passado ou por fatores exógenos. De maneira alguma podemos prever a seleção natural. Isso depende de uma complexa a rede de relações.
Não se pode dizer com certeza a quanto tempo existe o que podemos considerar como seres humanos. Tudo que se sabe é que a espécie humana sofreu uma série de adaptações e mutações. Vários tipos de hominídeos conviveram entre si, com períodos de duração muito variados. Não se pode definir com clareza em que estágio da história evolutiva dos hominídeos surge a humanidade como tal, porque essa história não pode ser dividida em estágios bem definidos. Não há estágios sucessivos, as espécies se entrecruzam no tempo e também influenciam umas às outras. Nossa espécie existe há cerca de um milhão de anos, o que é tanto um tempo curto de surgimento quanto um tempo curto de existência total para a média do tempo de duração de outros hominídeos.
Se mudarmos nosso conceito do que é essencialmente humano, a história da evolução humana precisará ser reinterpretada, e a idade relativa da humanidade poderá mudar. Se considerarmos como central a capacidade de criar cultura, fica ainda mais difícil descobrir a idade precisa da humanidade, uma vez que essa característica não é claramente visível nos vestígios arqueológicos.
Como saber a primeira vez que as pessoas se uniram em grupos sociais? Só podemos rastrear grupos grandes e que foram bem sucedidos por um longo tempo. É provável que os primeiros grupos tenham falhado até que se atingisse um grau de sucesso que permitisse deixar vestígios visíveis. Em resumo, a pergunta “quando nos tornamos humanos?” fica sem resposta exata, mas nos leva a pensar sobre nossa singularidade, nosso conceito de ser humano e o papel que temos nos dado até então.
Referências:
DUNN, L. C. (Leslie Clarence); DOBZHANSKY, Theodosius. Herança, raça e sociedade. São Paulo: Pioneira, 1962.
FOLEY, Robert. Os Humanos Antes da Humanidade: uma perspectiva evolucionista. São Paulo: Ed.UNESP, 2001.
GOULD, Stephen Jay. A falsa medida do homem. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
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2020.11.16 01:01 geovanadarkness Boy da Inglaterra

Bom, acho q sou louca só pra resumir. A história é o seguinte:
Menos de dois meses atrás eu estava procurando um parceiro para jogar Stardew Valley. Muitos homens mandando solicitação pra jogar depois (não estou brincando, foram cerca de 15 homens e 1 mulher) acabou que só duas pessoas realmente continuaram jogando comigo. O ruim do Stardew é que o pessoal te abandona fácil ou é difícil encontrar bons horários pra jogar.
Dessas 2 pessoas (ambos homens, um mexicano e um inglês), eu comecei a desenvolver sentimentos pelo inglês e ele por mim. Agora conversamos todo dia sobre diversas coisas, jogamos pouco, mas assistimos filmes direto pelo Discord, e trocamos muito segredos... e nudes (minha primeira vez fazendo isso 😊). O problema é: minha mãe odeia ele, ela nunca falou com ele até pq ele não fala português, porém o odeia mesmo assim e disse que nem se interessa em tentar conhecê-lo. O q me deixa extremamente triste e aflita, principalmente pq planejo ir pra Inglaterra ver ele em março, estou correndo atrás de dinheiro pq preciso de pelo menos 3 mil de passagem (apesar que ele quer pagar parte da passagem) e mais mil pra gastar com outras coisas.
Agora não sei como contar pra minha mãe que quero ver ele, nem como lidar com o escândalo q vai se seguir.
E sim, eu sei que é estranho eu e o inglês estarmos nessa intimidade em menos de 2 meses, mas pra mim ao menos parece natural. Ele diz q sente que é natural tb e quando conversamos parecemos dois pombinhos.
Obs: não sei se isso faz alguma diferença, mas ambos somos virgens, eu e ele, eu mais que ele pq nunca nem beijei. Temos 22 anos. E como ele é tímido geralmente sou eu que inicia as "sacanagens".
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2020.11.15 15:18 LucasSkudy Tô a fim de me matar

Bom, vou tentar resumir tudo pra vocês entenderem
1° - Há um mês eu decidi terminar um relacionamento de 2 anos e 6 meses que durou todo o meu ensino médio. A minha ex era uma menina incrível, nós não tínhamos nenhum problema grande entre a gente além do que me fez terminar, que são as expectativas diferentes para o relacionamento. Eu não sentia mais vontade de sair com ela e sentia que não estava pronto pra ter um relacionamento muito sério nesse momento, quem sabe mais pra frente, então decidi terminar pq ela tbm já tava sofrendo e não queria ver ela triste
2° - Sempre tiver um pouco de histórico de depressão e sensibilidade, sofri bastante quando era menor e isso me afetou bastante, só que o namoro conseguiu disfarçar isso. Porém todo esse sentimento voltou agora
3° - O término tá me afetando muito. Tenho vontade de saber o que ela tá fazendo 24h por dia, meu tempo no celular foi de 3h/dia pra 7h/dia. Fico criando histórias na minha cabeça que envolvem ela e outros homens, o que me deixa mais pirado ainda. Vejo ela saindo e fico com ciúmes. Não tô conseguindo estudar pq não paro de pensar nela. Eu já conversei com ela e a gente não tá brigado, estamos de boa um com o outro, mas o sofrimento não passa. Além disso, tenho a sensação de que ela cagou pro tempo que a gente ficou junto e agora não quer nem saber. Detalhe: Moro em cidade bem pequena, então meios que nossos amigos são todos envolvidos e muita gente que conheço sei que já foi dar em cima dela.
3°.1 - Logo que terminamos eu sofri muito, depois fiquei de boa e tava totalmente focado e dedicado nos meus planos. Academia 5x na semana, estudando todo dia, saindo com meus amigos, mas um dia acabei encontrando ela(cidade pequena) e todo esse sofrimento despertou em mim,.
4° - Ano que vem vou morar sozinho em uma cidade completamente diferente e não sei se vou dar conta depois de tudo isso e de não ter ninguém pra poder contar enquanto estiver lá
Tendo em vista todos esses problemas que tô enfrentando, pensar nos problemas que vou ter que enfrentar ano que vem quando vou ir morar sozinho em uma cidade diferente, cursar faculdade, além de todo o sofrimento causado pelo término e o medo de não encontrar alguém tão legal quanto ela pra ficar comigo + o ciúmes envolvido, um pensamento suicida vem na minha cabeça toda hora. To sentado e de repente eu lembro de tudo e vem uma vontade de pegar uma corda e simplesmente me pendurar ou sei lá, achar um jeito pra acabar com esse sofrimento. Como não tenho ninguém pra conversar ou desabafar, decidi escrever isso aqui. Obrigado a todos que responderem
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2020.11.13 19:29 VinAbqrq Campeã dos Deuses - Parte I: Segredos de Murmúrios

O desvio dos Murmúrios serve como um microcosmo do arco da Brienne em FESTIM. Para quem não gosta dos capítulos da Brienne, é mais um capítulo em uma jornada aparentemente sem sentido, que não leva à lugar nenhum além de um beco sem saída, avançando o plot em nenhuma direção, nem para ela nem para nenhum outro personagem. Para o resto de nós, o desvio dos Murmúrios tem tudo que torna o arco da Brienne significativo. O Ponto de Vista da Brienne descreve a jornada física e a consequência emocional de uma pessoa honrada em uma missão impossível em nome da inocência, em uma corrida contra o resto do mundo e o próprio tempo, não apenas para falhar mas para encontrar um fim trágico e injusto no final. Tudo isso ocorre nos Murmúrios.
Seguindo a trilha de um bobo que poderia ser Sor Dontos, Brienne e seu companheiro improvável de jornada Lesto Dick trilham em direção ao antigo castelo Murmúrios, nome dado devido aos estranhos sons de sussurros que populam a região. O castelo, agora uma ruína, pertenceu a uma família cujas raízes ainda produzem galhos. Inclusive o próprio Lesto Dick, cujo nome verdadeiro é Dick Crabb. E ter um Crabb ao lado da nossa protagonista é interessante porque ele nos conta o folclore por trás dos barulhos de sussurros.
"Nos Murmúrios. Conhece Clarence Crabb, claro.
[...]
Aquilo pareceu surpreendê-lo. “Estou falando de Sor Clarence Crabb. Tenho o sangue dele em mim. Tinha dois metros e quarenta e era tão forte que arrancava pinheiros com uma mão só e atirava-os a meia milha. Não havia cavalo que lhe aguentasse o peso, de modo que montava um auroque.
[...]
A mulher era uma bruxa da floresta. Sempre que Sor Clarence matava um homem, trazia sua cabeça para casa, e a mulher beijava-a na boca e a trazia de volta à vida. Eram senhores, ah sim, e feiticeiros, e cavaleiros e piratas famosos. Um foi o rei de Valdocaso. Davam ao velho Crabb bons conselhos. Como eram só cabeças, não podiam falar muito alto, mas também nunca se calavam. Quando se é uma cabeça, falar é o único passatempo que se tem. De modo que a fortaleza de Crabb acabou chamada Murmúrios."
FESTIM - BRIENNE III
Mas como a gente vê em seguida, Brienne permanece cética mesmo após escutar os tais murmúrios.
O castelo caiu sobre eles sem avisar. Num momento estavam nas profundezas da floresta, sem nada à vista ao longo de léguas e léguas a não ser pinheiros. Então, deram a volta a um pedregulho, e uma brecha surgiu à frente. Uma milha mais adiante, a floresta terminou abruptamente. Em frente havia céu e mar... e um castelo antigo e arruinado, abandonado e coberto de vegetação na beira de uma falésia.
"Os Murmúrios", Lesto Dick anunciou. "Escutem. Dá para ouvir as cabeças".
A boca de Podrick escancarou-se. "Estou ouvindo."
Brienne também as ouvia. Um murmúrio tênue e suave que parecia vir tanto do chão como do castelo. O som foi ficando mais forte à medida que se aproximavam da falésia. Era o mar, ela percebeu de repente. As ondas tinham roído buracos na falésia, lá embaixo, e ressoavam por grutas e túneis por baixo da terra.
"Não há cabeça nenhuma", disse. **"**O que está ouvindo murmurar são as ondas."
"As ondas não murmuram. São cabeças."
FESTIM - BRIENNE IV
No castelo, Brienne encontra a morte de outras formas. Pela primeira vez, ela mata uma pessoa em batalha. Pela primeira vez, ela perde um aliado em batalha. E quando a luta acaba, Brienne se encontra em luto, e decide colocar Lesto Dick para descansar em paz após pagar pelos seus serviços.
Brienne abaixou a Cumpridora de Promessas. “Cave uma sepultura. Ali, debaixo do represeiro”. Apontou com a lâmina.
[...]
Para que o esforço? Deixe-os para os corvos.
Timeon e Pyg podem alimentar os corvos. Lesto Dick terá uma sepultura. Ele era um Crabb. Este é o lugar dele.
FESTIM - BRIENNE IV

Podrick ajudou Brienne a baixar Lesto Dick para sua cova. Quando terminaram, a lua já subia no céu. Brienne sacudiu a terra das mãos e atirou dois dragões para a sepultura.
"Por que fez isso, senhora? Sor?", Pod quis saber.
"Era a recompensa que lhe prometi para que encontrasse o bobo."
FESTIM - BRIENNE IV
Brienne não se culpa pelo que aconteceu. A maior parte estava fora do seu controle. Mas ela entende que ela tem alguma responsabilidade pela tragédia, uma vez que ela trouxe Lesto Dick ali, e por conta disso ela segue o resto do capítulo com introspecção. Mar o Martin termina o capítulo completamente fora desta introspecção.
Juntos empurraram a terra para cima de Lesto Dick, enquanto a lua se erguia no céu, e debaixo da terra as cabeças de reis esquecidos murmuravam segredos.
FESTIM - BRIENNE IV
Pera. Quê?
A segunda metade da frase apresenta uma quebra de narrativa raramente vista nas Crônicas de Gelo e Fogo. Neste ponto, Martin sai da limitação do Ponto de Vista da protagonista e descreve, poeticamente, o mundo ao seu redor além da sua perspectiva. E é algo que a gente sabe que não estaria na mente da Brienne: afinal de tudo, como visto antes, Lesto Dick poderia ter acreditado que os murmúrios vêm das cabeças enterradas, mas Brienne acredita ser o som das ondas.
Ao apresentar uma interpretação de um evento que está em contraste direto com o que a nossa protagonista acredita, esta frase se exclui do território de "narrador não-confiável". Afinal, espera-se que uma descrição que é significativa o suficiente para ser incluída, ou será sobre algo que está de fato acontecendo ou de algo que pelo menos o personagem acha que está acontecendo. Não tem motivo falar para o leitor de algo que não está acontecendo e não está sendo interpretado pelo personagem.
Ou seja. Debaixo da terra. Cabeças. De Reis Esquecidos. Murmuravam Segredos.
Muitos reclamam que o arco da Brienne parece uma história separada, com pouca influência no resto dos livros. Mas aqui a gente olha de relance o fio que tem se desenrolado no plano de fundo da história, uma dica de como os mecanismos mágicos operam pelo mundo metafísico. Olhando apenas para FESTIM, não parece ter informação suficiente para fazermos todas as conexões, mas tudo fica mais claro com o PdV de Bran em DANÇA. Em Bran III, nós temos uma indicação do papel do sacrifício na cultura e religião dos Primeiros Homens na era pós-pacto com as Filhos da Floresta.
A árvore estava encolhendo, ficando menor a cada visão, enquanto árvores ainda menores se convertiam em mudas e desapareciam, apenas para serem substituídas por outras árvores que encolhiam e também sumiam. E agora os senhores que Bran vislumbrava eram altos e vigorosos, homens austeros vestidos em peles e cotas de malha. Alguns tinham rostos que lembravam as estátuas da cripta, mas desapareceram antes que Bran pudesse recordar seus nomes.
Então, enquanto ele observava, um homem barbado forçou um prisioneiro a ficar de joelhos diante da árvore-coração. Uma mulher de cabelos brancos caminhou na direção deles, por um monte de folhas vermelho-escuras, com uma foice de bronze na mão.
"Não", disse Bran, não, "não faça isso" mas não podiam ouvi-lo, não mais do que seu pai. A mulher agarrou o prisioneiro pelo cabelo, enganchou a foice em sua garganta e cortou. Através das brumas dos séculos, o garoto quebrado só podia observar, enquanto os pés do homem se debatiam contra a terra... mas, conforme sua vida fluía para fora em uma maré vermelha, Brandon Stark pôde sentir o gosto de sangue.
DANÇA - BRAN III
O Sacrifício dos Primeiros Homens parece ser realizado não tanto como um ritual específico, como seria indicado pela fogueira de Daenerys, mas sim como uma simples oferenda. E no mesmo capítulo, temos uma indicação do que acontece com os Filhos da Floresta quando eles morrem
"Quando morriam [os cantores], entravam na floresta, em uma folha, um galho ou uma raiz, e as árvores se lembravam. Todas as suas canções e feitiços, suas histórias e orações, tudo o que sabiam sobre esse mundo. Os meistres lhe dirão que os represeiros são sagrados para os antigos deuses. Os cantores acreditam que os represeiros são os antigos deuses. Quando os cantores morrem, tornam-se parte desta divindade.
DANÇA - BRAN III
Desta forma, a descrição de que "abaixo da terra, a cabeça de reis esquecidos estão murmurando segredos", indica fazer sentido literal, não apenas pela forma como foi incluído pelo George, mas também porque faz sentido com as aparentes regras desse Universo. Tudo isso indicando que, de fato, tinham cabeças de reis esquecidos abaixo da terra, murmurando segredos.
Mas o que eles estariam murmurando? Obviamente, eles parecem estar murmurando o tempo todo, mas recitar explicitamente para o leitor como feito pelo George parece indicar que tais "segredos" possam ser significantes para a história, correto? No fim, o que faria mais sentido é que seja o que for que a consciência dos Reis Esquecidos aparentemente estão sussurrando, teria relação com o que está acontecendo na narrativa naquele momento. Ou seja, eles estariam observando pelo Represeiro enquanto Brienne enterra Lesto Dick.
Desta forma, teria Brienne, sem intenção, acabado de fazer uma oferta de sangue aos deuses ao enterrar Lesto Dick em frente à uma Árvore Coração? Teriam tais Reis Esquecidos aceito tal oferenda?
Vou deixar para a Parte II (e última, prometo) para descrever como eu acho que seria uma consequência satisfatória para este possível sacrifício não-intencional de sangue, e como ele pode afetar a história da Brienne e Jaime.
Até lá, gostaria de citar uma evidência adicional para a discussão. Há algumas semanas atrás, o usuário u/zionius_ fez um post ressurgindo uma antiga versão dos capítulos da Brienne. Aparentemente, uma edição Russa de FESTIM saiu com versões prévias do arco da Brienne, que juntam os dois últimos capítulos publicados em um único, com acontecimentos diferentes. Essa versão nos deixa observar como George planejava terminar o seu arco em algum ponto do seu processo de edição. De todo o post, gostaria de ressaltar este trecho:
Ela estava cavalgando uma floresta sombria, jogada com cabeça para baixo sobre um cavalo com os seus pulsos e tornozelos amarrados juntos. O ar estava úmido, o chão encoberto em névoa. Sua cabeça socava com cada passo. Ela podia ouvir vozes, mas tudo que ela via era a terra abaixo dos cascos do cavalo. Quando os raios de luz pálida começaram a se esgueirar pelas arvores, umas pessoas a arrastaram para fora do cabalo, a colocaram-na de pé e jogaram uma corda em seu pescoço, arremessando a outra ponta da corda sobre um galho grosso.
FESTIM PARALELO - Versão anterior do último capítulo de Brienne em FESTIM.
(Tradução Livre.)
Nesta versão do arco, após ser capturada pela Irmandade, Brienne não é levada para a caverna, mas sim diretamente para aonde seria enforcada. Ainda atordoada após ser nocauteada pelo Gendry, ela ouve vozes enquanto encara o chão.
Por si, esta frase não significa muita coisa. Estas vozes poderiam vir de qualquer lugar. Entretanto, nota-se que o dia amanhece em seguida, o que indica que como ela estava parada, os seus captores estavam provavelmente em descanso, com talvez um deles de vigia. Não faz muito sentido ela estar escutando estas vozes... A menos que as vozes estejam de fato vindo do próprio chão que ela encara. Isto coloca esta frase como ligação direta ao momento do enterro do Lesto Dick nos Murmúrios, o outro ponto da história da Brienne aonde vozes vinham da terra.
Este tipo de escrita pode sim muito bem ser apenas uma descrição poética, sem nenhum significado narrativo. Este foi um motivo que eu sempre fiquei com o pé atrás de divulgar esta teoria ao longo do último ano. Contudo, esta nova evidência sedimenta para mim que George escreveu o enterro do Lesto Dick de forma consciente, plantando algo que ele pretende usar para o futuro. Afinal, "vozes vindo do chão" não é algo recorrente na história, mas parece ser uma sugestão que George quis reforçar na cabeça do leitor nesta versão não-publicada de FESTIM.
Ao meu ver, parece que os tais dos Antigos Deuses não apenas observaram a Brienne sepultando Nimble Dick, mas continuam a observando ao longo de sua jornada.
EDIT 14/11: o treco citado do FESTIM PARALELO está, em boa parte, na versão final publicada de Festim:
Tinha um cavalo por baixo de si, embora não conseguisse se lembrar de ter montado. Estava deitada de barriga para baixo sobre os quartos traseiros do animal, como se fosse um saco de aveia. Os pulsos e os tornozelos tinham sido firmemente amarrados uns aos outros. O ar estava úmido e o solo encontrava-se encoberto por névoas. A cabeça latejava-lhe a cada passo. Ouvia vozes, mas tudo o que via era a terra sob os cascos do cavalo. Havia coisas quebradas dentro de si. Sentia o rosto inchado, tinha a bochecha pegajosa de sangue, e cada oscilação e sacudidela provocavam-lhe uma punhalada de dor no braço. Ouvia Podrick chamando-a, como que de uma grande distância.
"Sor?", ele não parava de dizer. "Sor? Senhora? Sor? Senhora?", a voz era tênue e difícil de ouvir. Por fim, restou só o silêncio.
FESTIM - BRIENNE VIII
A diferença entre estas descrições é que na versão paralela, há uma impressão maior de que as vozes estariam vindo do chão pelo fato de ocorrer o amanhecer logo em seguida. Na versão publicada, Pod ainda está acompanhando a Brienne, dando assim uma sugestão maior de que as vozes que ela escutava enquanto olhava para o chão seria dele.
Entretanto, por termos essa versão anterior disponível, sabemos que as vozes dessa cena não vêm do Pod. Isso não prova ou desprova que tais vozes estariam vindo do chão, mas achei importante fazer esta correção de que a descrição das vozes não foi retirada na versão final.
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2020.11.09 17:53 Electronic_Address Acho que eu deveria parar de se preocupar com minha Ex (drogas e problemas psicológicos)

Faz tempo que quero escrever esse desabafo mas não encontro as palavras certas, sempre desisto de escrever no meio.
Alerta de que o texto pode ser grande.
Sim, eu ainda mantenho contato com a ex por vários motivos. A gente meio que se tornou melhores amigos, mas meio que só virtualmente já que nunca mais nos encontramos pessoalmente. A gente sempre troca segredos e confiamos um no outro. Na verdade eu nunca fui de se abrir pra ninguém, é mais da parte dela que ela me conta coisas "confidenciais", desde um relato que ela tinha perdido o vibrador até a experiência com drogas.
Quando eu comecei a namorar com ela percebi que ela era bem desequilibrada mentalmente (eu também era). A gente meio que tinha os mesmos problemas: Depressão, ansiedade, baixa alto estima, insegurança e por aí vai. Na TPM os sentimentos dela afloram ainda mais. Apesar de tudo isso nossa relação era saudável, nenhum dos 2 era ciumento, nem fazia chantagem emocional. A gente praticamente nunca se xingou. Na verdade a gente se ajudou a superar nossos problemas.
O término veio por pedido dela. Era difícil eu sair de casa pra qualquer coisa e a gente morava distante então a relação ficou complicada. Foi no ápice da pandemia do Covid-19 quando tudo estava em Lockdown e eu me neguei a sair pra encontrar ela (tem pessoas do grupo de risco na minha casa) daí ela terminou.
Não demorou pra ela arranjar outro cara mas esse "namoro" novo dela durou só 3 meses. Interpretei isso como uma extrema carência emocional que ela tem. Depois desse término dela ela me ligou bêbada de madrugada (eu sempre achei bem merda ela beber mesmo sendo menor de idade, e ela não bebia latinhas de cerveja, ela bebia LITROS de Vodka). Uma vez chamei atenção dela quanto a isso e ela disse " eu não bebo muito não, só bebo quando tô bem mal" e eu respondi "pior ainda".
A gente foi ficando mais próximo novamente (eu tinha parado de falar com ela por respeito ao novo relacionamento dela). Relatos de como ela se sentia inútil e de como ela queria morrer eram bem frequentes. Eu já tinha recomendado ela procurar um psicólogo, ela disse que ia falar com a mãe dela mas parece que isso não aconteceu. Não demorou muito pra ela vir com uns papo estranho de "já fumou maconha? Vou experimentar semana que vem".
De cara já fiquei bem preocupado com que tipos de pessoas ela ia usar, por que tenho muito medo de ela usar drogas com amigos homens e eles tentarem abusar dela (vocês sabem do que eu tô falando). Eu não falei "cuidado pra não abusarem de ti", eu só falei "cuidado com quem tu usa". Também falei pra ela ter cuidado pra não viciar. Eu sei que a chance de viciar em maconha é bem menor que a do álcool mas sabia também que devido ao emocional dela era bem mais sucetivel ela recorrer a droga como válvula de escape (assim como ela fazia com o álcool) e acabar se viciando.
Até aí pensei "tudo bem, ela vai usar com pessoas que ela confia". Também não acho maconha muito preocupante tendo em vista que tenho primos que usam de forma recreativa e eles não são viciados. Raramente recorrem a maconha pra se divertir e que eu saiba não usam outras drogas.
Depois de um tempo percebi que ela passou um dia inteiro sem me mandar mensagem. Achei bem estranho mas não chamei ela. De noite ela me mandou uns áudios bem estranhos que não dava pra entender nada. Ela falava bem baixinho e a fala dela tava toda enrolada era realmente impossível entender o que ela falava. Eu perguntei "o que?" E ela digitou "deixa pra lá" e sumiu.
No outro dia ela me disse que tinha experimentado o LSD e que ficou o dia todo sobre o efeito. Ela disse que tinha se sentido muito bem e que sorria de tudo no dia anterior mas que hj ela acordou se sentindo uma merda. Expliquei o funcionando do LSD e falei que devido a bomba de Seretonina que ela recebe ela acorda no outro dia se sentindo merda pois ela tá zerada de Seretonina.
A esse ponto eu já me preocupei um pouco, ela tava migrando pra outras drogas. Depois que eu expliquei sobre o LSD ela me prometeu que nunca mais usaria drogas. A mãe dela tava chegando de viagem então eu me senti aliviado pq eu acho que ela não usaria drogas em casa com a mãe lá.
Tudo começou a se normalizar e eu realmente achei que ela tinha largado as drogas, até chegar os dias recentes.
A gente tava tendo uma conversa normal até que eu notei que ela tava usando uma metadinha (famoso couple ou fotinhas combinado) que a gente usava bastante como foto de perfil quando a gente namorava. Perguntei bem despretensiosamente "hmmm tá apaixonadinha é? Usando metadinha" e ela me respondeu "não ele é só amigo" e me mandou um Print da conversa (que eu não pedi) que ela falava pra ele "usa essa foto aqui gay".
O que ela não se ligou, mas que foi a primeira coisa que eu reparei, mesmo antes das fotos foi o contexto da conversa. Dizia assim:
Amigo: tem mais chances de dar overdose Ela: tô ligada, deve ser bom Amigo: é Ela: pega, usa essa foto aqui gay
Eu falei: tão falando sobre dorgas 😳. Ela me respondeu "eita porraaaaaa". A gente conversou um pouco sobre e eu falei "cuidado".
Conversas sobre como ela se sente inútil e descartável se tornaram bem mais frequentes. Ela me contou até sobre a tentativa de suicídio dela. "Eu tentei me enforcar" - respondi "como?" - ela "com uma cordinha". Eu falei "tá doida porra? Se tu morrer eu vou ficar muito triste, tua mãe também." Eu sei que ela gosta muito de mim e da mãe, eu sempre tento fazer ela se sentir amada e querida quando ela fala que quer se matar ou quando ela se sente inútil e descartável.
Hoje eu mandei um bom dia e ela não me respondeu.
Quando deu meio dia, já quase uma hora ela me mandou um bom dia bem eufórico
"Bom diaaaaaaa Eu tô viva manoooooo Eu te amooooooo Eu tô vivaaaaaaaaa"
Ela me disse que tinha usado muita droga ontem. Me falou, falou e não explicou nada mas disse que ia me contar tudo (porra ela realmente confia em mim). Me disse que ainda tava mal e sumiu de novo.
Ela me disse que tinha usado 2 balas (ecstasy), LSD e "outros bagulhos lá". Ótimo era tudo que eu precisava: agora ela também tá no ecstasy e tá usando "outros bagulhos lá". EU NÃO SEI NEM MAIS QUE PORRA QUE ELA TÁ USANDO!!!
A situação tá ficando fora de controle. A gente já tinha marcado de se rever sábado. A gente vai tomar sorvete, como fazíamos antes. Mas lógico: ela cogitou a ideia de a gente fazer "outro tipo de rolê": dormir na casa dela, usar LSD e ficar loucão. Que ótimo, muito saudável! Nem precisei falar nada ela mesmo mudou de idéia e resolveu ir tomar sorvete mesmo.
Eu nem sei se eu quero mais ver ela. Ela se transformou numa pessoa muito diferente da pessoa que eu me apaixonei. Agora eu tenho que segurar as crises de depressão dela, principalmente depois que ela usa essas porcarias que é quando ela fica pior.
Porra é muita responsabilidade pra mim, ela completou 18 anos esse mês e eu vou fazer 17 ainda semana que vem. Eu sei que é contra as regras do grupo revelar a idade se eu for menor de idade mas isso é pra contextualizar de que de que isso é muito peso pras minhas costas.
Eu sei que eu deveria contar isso pra mãe dela mas como que eu vou falar isso???? Além disso se eu contar a confiança que ela tem comigo vai acabar completamente e isso pode ser ruim pro emocional e psicólogo dela.
Isso tá se tornando um fardo imenso. Toda vez que ela me fala que usou drogas eu me sinto muito merda. Vejo uma pessoa se afundar em depressão e drogas na minha frente e não faço nada. Eu tô simplesmente congelado de medo.
Isso tá me fazendo muito mal, as vezes dá vontade de chorar quando ela me fala essas coisas e eu penso em simplesmente cortar ela da minha vida por que o que era uma relação de amizade saudável entre ex namorados agora é algo que só me puxa pra baixo. Realmente é bem covarde e egoísta deixar ela assim pra trás mas é o que eu sempre fui, sempre fui um COVARDE fugindo dos problemas.
Além disso minha mãe anda falando muito em se mudar de cidade. Uma hora eu vou embora e minha ex não vai me ter mais aqui pra ajudar ela com as merdas que ela faz. Ela precisa saber o que faz sozinha.
Preciso ir cortando nosso laço pouco a pouco. Desaparecer gradualmente até que ela não perceba minha ida.
Se a gente não tivesse insistindo em continuar se falando depois do término isso não estaria acontecendo (não comigo) e eu iria se lembrar dela sempre como a pessoa mais incrível que eu conheci, mas agora... Agora todas as memórias bonitas que eu tinha sobre ela estão desaparecendo por que ela virou outra pessoa.
Obrigado a você que leu até aqui.
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2020.11.03 20:35 Constant-Overthinker Como deturpar informações e dados, um caso prático com um post de hoje

O Cyberthinker nos postou um vídeo horroroso e deplorável, dito como o de uma escola paquistanesa ensinando alunos a decapitar infiéis.
O vídeo provoca respostas. Sunset_28, por exemplo, conclui: "Todo islâmico é extremista. Não existe muçulmano moderado."

Vejo o vídeo e me pergunto: Isso é representativo de muçulmanos em geral? Ou é mais uma tentativa de generalizar o outro e inventar um inimigo?
Pedi fontes e fui atendido. Aí sim, penso eu. Oportunidade de aprender alguma coisa. A maioria das fontes é de artigos de uns 10-14 anos atrás, mas Cyberthinker fez referência a um relatório de pesquisa mais extenso do Pew Research sobre muçulmanos nos EUA. Vamos olhar o relatório, já que os artigos pontuais tendem a ser baseados nessas pesquisas.
Para minha surpresa, o relatório argumenta o contrário do que diz Cyberthinker e outros. A conclusão é a contrária: a maioria dos muçulmanos em países ocidentais é moderada, contra o extremismo, e estão vivendo vidas como a maioria de nós.
Convido a quem quiser que entre no artigo e leia por si mesmo. O link fornecido pelo Cyberthinker é este.
Vamos ler o relatório, logo nas primeiras páginas:
A comprehensive nationwide survey of Muslim Americans finds them to be largely assimilated, happy with their lives, and moderate with respect to many of the issues that have divided Muslims and Westerners around the world.
The poll reveals that Muslims in the United States reject Islamic extremism by larger margins than do Muslim minorities in Western European countries, when compared with results from a 2006 Pew Global Attitudes Project survey.
The survey shows that although many Muslims are relative newcomers to the U.S., they are highly assimilated into American society. With the exception of very recent immigrants, most report that a large proportion of their closest friends are non-Muslims. On balance, they believe that Muslims coming to the U.S. should try and adopt American customs, rather than trying to remain distinct from the larger society.
Os trechos resumem bem a conclusão do artigo.

Sobre os jovens muçulmanos franceses.
Em outro ponto da argumentação do Cyberpunk, está lá: "Alguém tenta postar na france? Eu fui expulso de lá porque mostrei que 42% dos jovens muçulmanos na França apoiam o terrorismo. Pew Research p. 54".
É estranho ficar catando dado sobre a França em um relatório sobre os EUA, mas vá lá, vamos conferir. Tive que procurar o PDF por "France" para encontrar o dado porque não é óbvio na página 54. Há 16 referências a "France", entre elas várias respostas de muçulmanos franceses a perguntas da pesquisa. Olhando o relatório desse jeito, encontramos o seguinte:
Esta última pergunta é dividida entre jovens [18-29] e [30 ou mais]. Entre os 18-29 anos as respostas foram: [57% Nunca]; [23% Raramente]; [19% Às vezes/Frequentemente] (pg. 54). Cyberthinker cata seu dado desta resposta, só que, nela, a maioria dos jovens responde que atacar alvos civis nunca é justificado.
Vale a pena reparar que a resposta de dos jovens franceses é a menor maioria nessa resposta. Os muçulmanos dos outros países também se posicionam majoritariamente contra homens-bomba, por margens mais largas (na Alemanha, 83%, nos EUA, 78%). (pg. 54)
Com o que dá para se concluir que a maioria dos muçulmanos franceses é gente igualmente preocupada com o extremismo, contra homens-bomba, querendo viver uma vida moderna. Como os muçulmanos de outros países da pesquisa.

Conclusão
Um dado é pinçado como suporte a uma narrativa oposta a da conclusão do relatório de onde ele vem. Essa é a qualidade média do debate de gente que quer muito que a conversa seja um "nós" contra "eles". É uma aposta na ignorância, em que as pessoas não são capazes de olhar as fontes por si próprios.
Se informar, ter visão crítica, dá um trabalho da porra. Argumentações de má fé com dados pinçados aqui e ali atrapalham ainda mais. Não caiam nessa.
Ao ssantorini, moderador: Espero que, caso este post sofra de "brigading", que ele seja pinado no sub, como um outro post dia desses.
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2020.11.03 03:18 inmaskin Eu perco o interesse fácil

Uns dias atrás, eu e minha mãe estávamos conversando sobre a minha irmã e como ela é iludida facilmente por homens. Até hoje que eu saiba, todos os caras com quem ela se envolveu, acabou machucando ela de alguma forma, e esse era o assunto. Aí minha mãe falou que isso é coisa da vida e que as pessoas te iludem e a gente tem que se acostumar com isso. E foi nesse ponto que algo me tocou.
Quando ela falou isso, eu me dei conta que eu fui esse tipo de cara, que brinca com os sentimentos das pessoas, com duas garotas que eu conheci no Tinder com quem eu me envolvi recentemente. Há um tempo atrás, eu vi um post aqui de alguém desabafando falando de sua raiva por pessoas que iludem as outras, as vezes usando até seus problemas como desculpa pra isso, e eu lembro que quando li isso, parecia que era pra mim.
A primeira delas era tipo, uma pessoa incrível, foi a menina mais especial que eu conheci no Tinder (o que eu não imaginava encontrar lá). A gente saiu e foi bem daora, ela era bem tímida e eu que tive meio que controlar a situação kkk, mesmo não sendo bom nisso, e isso me encantava nela. A gente marcaria de sair de novo, porém ela morava um pouco longe de mim e a rotina dela era bem fechada, ela fazia uns cursos e não sobrava muito tempo, mas não era nada que não seria fácil de lidar. Por conta disso com o tempo eu simplesmente me afastei e não respondi ela no Wpp, sem dar motivo eu só sumi, e isso foi há um pouco mais de um ano. Eu sinto que eu perdi uma chance de poder ter alho com uma das melhores pessoas que eu conheci.
A segunda, era super bem humorada, uns três anos mais nova que eu, mas já era até madura pra idade dela. Eu conheci ela na época que eu ainda conversava com a primeira, e conhecer ela também foi um motivo pra eu deixar de falar com a primeira. A gente saiu e conhecer ela pessoalmente foi bem melhor que nas redes sociais. Depois desse encontro, a gente ainda conversou bastante e até tentamos nos encontrar de novo, mas nunca dava, nossa disponibilidade nunca era compatível, o que me desanimou bastante. E depois da pandemia nossa relação só foi decaindo, até chegar um ponto que esses dias eu não respondi a última mensagem dela, sumi e virei só mais uma visualização no status do Whatsapp.
Eu não me sinto nem um pouco bem com isso, muito pelo contrário, e eu sei que pra mim mesmo eu uso meus problemas comigo mesmo pra justificar meu sumiço, e eu sei e consigo ver claramente que eu sou o problema, que minha falta de interesse repentina e falta de empatia é que causa isso. Vendo como minha irmã está se sentindo ultimamente por conta de outro cara, fez eu me perguntar como essas duas garotas estão se sentindo ou como elas se sentiram por minha causa. Eu até tentei por algum tempo nem pensar nisso, mas eu só tava tentando esconder o fato de eu poder ter cagado na vida e no psicológico de alguém por conta das merdas que eu sinto, mas que ainda são problemas meus.
Pedir desculpas não adianta, como eu vi nesse posto que eu citei, e nada que eu fale ou que eu faça vai mudar o fato de eu ser um merda que sai da vida de pessoas achando que vai ficar tudo bem, sendo que não vai. Hoje eu percebo isso e em muitos dias eu me odeio só de pensar que talvez (eu espero que não) eu tenha feito pessoas que nem tem a ver com o que se passa comigo, sofrerem. Independente do que eu fale com elas ou comigo mesmo, nada vai mudar, pelo menos não mais.
Hoje eu sinto como se eu não merecesse alguém, e eu tenho medo de voltar a fazer o mesmo. Eu comecei a me envolver com outra garota, e eu gosto dela, mas por uns motivos, já tem uns dias que a gente não se fala, e eu começo a pensar que eu tô voltando a fazer o mesmo, então o pensamento de que eu deva ficar sozinho começa a me perturbar. Enfim, as vezes é difícil dormir comigo mesmo.
Eu não sou nenhuma vítima e nem quero ser egocêntrico demais, então qualquer crítica ou xingamento, vai ser normal pra mim, eu mesmo já faço isso sempre. Eu só precisava falar isso pq tá me sufocando cada dia mais.
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2020.11.02 05:04 meioautista Ajude a descabaçar uma pessoa com traços de Asperger

TLDR: Eu tenho dificuldade em me relacionar com as pessoas e queria saber como consigo transar com alguém, no início do ano eu fiz um perfil mais comum no tinder e consegui perder o bv, parece ser bastante para alguém que tava zerado mas ainda me sinto bastante longe do objetivo, agora que a quarentena tá mais frouxa tentei criar um outro perfil mais honesto e direto no tinder do tipo "sou meio autista e só queria perder o cabaço" sem fotos do rosto, mas só recebo likes de homens com perfil de mulher ou de gente muito longe, será que consigo algo como no primeiro perfil se colocar fotos normais do rosto com essa bio mais direta ou vou estar me expondo muito?
Oi, venho aqui hoje pedir uma ajuda para essa comunidade com uma coisa que me incomoda de vez em quando, por conta de uma série de motivos nunca consegui transar com ninguém, sou homem e já tenho 23 anos.
A primeira dificuldade com certeza é minha personalidade peculiar, me sinto muito bem sozinho e relações com outras pessoas para mim sempre foram jeitos de não parecer tão alien e ter uma convivência facilitada nos meios sociais, me dou bem com as pessoas e por isso consigo alguns atalhos na vida tipo ser indicado para um estágio, ou ser uma pessoa que os outros gostem de ter por perto para conversar, mas isso para mim sempre foi trabalho de muito esforço de tentar ser normal, eu não necessariamente gosto de agir assim, na verdade sempre chego em casa muito cansado por conta disso. Já a segunda dificuldade é algo mais concreto, vivo com minha família numa casa bem pequena e por isso nunca tive a liberdade de poder transar com alguém aqui, não que eu conseguisse isso mas acho que vocês entenderam.
Eu não vejo muito sentido em mentir, e em toda roda de conversa que eventualmente vai para o sexo acabo dizendo sem problemas que nunca transei (isso quando questionado, já tenho o molejo social de não sair dizendo toda a verdade o tempo todo). E por algum motivo sempre me incomodou o jeito que as pessoas lidam com isso, "Como pode um homem sem ligação com religião de quase 25 anos nunca ter feito algo tão básico?" de todas as peculiaridade que eu tenho parece que essa é uma das que quase sempre me fazem sobressair em relação aos outros e parecer um alien.
Quando eu tenho um objetivo normalmente invisto bastante tempo nele a fim de ficar bom, então coloquei essa ideia na minha cabeça "quero transar antes de me formar", isso foi no início desse ano quando baixei o Tinder e comecei a melhorar o meu papo, consegui uns encontros antes da pandemia mas tive uns problemas tipo: 1) Dificuldade enorme em entender sinais 2) Bloqueio físico de agir de acordo com sinais e não sobre o que está sendo dito 3) Não morar sozinho.
Primeiro fiz um perfil mais normal só sugerindo ir na praia ou algo assim e foi com esse que eu consegui os encontros, para minha surpresa o primeiro foi com uma menina um pouco parecida comigo, ela era introvertida e parecia bem tranquila, tivemos uma tarde massa na praia e fui para casa, conversei com ela umas vezes depois online e ficou nisso. Eu me senti completamente esquisito e travado fisicamente de ter qualquer iniciativa como dizem, eu não entendo o conceito da pessoa querer ficar com outra sem explicitar isso, como na bio dela tava que ela queria amizades eu fui nesse intuito mesmo, para tornar algo mais normal eu sair com mulheres, depois uns amigos ficaram me falando que tem uma série de códigos mas eu desisti de entender isso, a coisa que eu mais odeio é ser desconfortável pros outros, e parece que faz parte de ter iniciativa talvez lidar com isso.
O segundo foi uma série de encontros na verdade porque a mulher parece que gostou de mim, ela não era da minha cidade e tava aqui apenas por uma semana com uns familiares. Eu basicamente repeti o primeiro encontro e cheguei em casa meio desanimado por que eu não parecia estar evoluindo nessa trava. Mas ela me chamou para sair outras 3 vezes, e na última ela finalmente perguntou se tinha algo de errado comigo porque ela não cansava de me dar "sinais" e eu não fazia nada, expliquei para ela um pouco e ela decidiu me pegar por conta própria, foi com ela que eu perdi o BV, a menina ficou me pegando por uma hora em público e eu meio desconfortável apesar dela beijar bem. Não rolou nada mais que isso porque já era o último dia dela e não tínhamos privacidade, e foi ai que eu fiquei meio bravo com a minha falta de prática, eu fiquei tremendo como um galho quando ela começou a avançar para as minha partes baixas quando a pegação ficou mais caliente, sinal de que preciso sim de alguma prática nisso.
Enfim, aí veio a pandemia, segui usando o Tinder para melhorar meu papo mas sem encontrar ninguém (tiveram umas duas doidas que queriam encontrar mesmo na quarentena) e agora com a quarentena mais frouxa me sinto sem prática e criei um perfil novo um pouco mais direto, sem fotos do rosto e com algo do tipo "sou meio autista e só queria perder o cabaço", mas só recebe like de homens em perfil de mulher ou de gente de longe, pensei em fazer um perfil com fotos normais e essa descrição mas não sei se estou me expondo demais.
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2020.10.30 17:36 VittoriaVitaPT Em que países a maternidade de substituição está disponível para pais solteiros?

Em que países a maternidade de substituição está disponível para pais solteiros?

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#vittoriavitaMaternidadeSubstituiçao

Estamos falando não apenas de pessoas LGBT, mas também de homens e mulheres heterossexuais que decidem criar um filho sem um cônjuge. Os motivos podem variar, mas na maioria das vezes os solteiros simplesmente não conseguem encontrar o parceiro certo para começar uma família.
No artigo, você descobrirá em quais países você pode usar a rendição para um pai solteiro:
vittoriavita.com/in-which-countries-is-surrogacy-available-for-single-parents

#vittoriavita_pt #infertalidade #maternidadesubstituição
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2020.10.27 01:03 jogarfora1991 Eu sempre fui muito certinho

Eu (H 29) sempre fui um cara muito certinho. Não flertava com as mulheres porque era muito tímido. Comecei a namorar tarde, com 23 anos, e dei meu primeiro beijo nessa idade. Com a minha namorada eu sempre tive muito medo de ter filhos e sempre fomos precavidos com relação a isso. Sempre tive o ideal de ter melhores condições financeiras antes de ter um filho. Hoje eu estou chegando perto dos 30 anos, e continuo sem filhos, e nunca estive com outra mulher além da minha primeira e única namorada. Eu começo a pensar sobre estar ficando velho. Hoje muitas mulheres flertam comigo e eu não vou adiante por estar comprometido. Eu gosto da minha namorada, e acho que ficaria absolutamente só se nós terminarmos o relacionamento, pois não tenho muitos amigos e sei que, embora muitas mulheres flertem comigo, na maioria das vezes eu não iria desenvolver uma relação mais profunda com elas mesmo se eu estivesse disponível. Eu sinto que não vivi o que a maioria dos homens viveram, eu sinto falta do jogo de sedução, mas eu gosto da minha namorada e não sei se conseguiria continuar sem ela. Eu sinto que essa vida de solteiro pegador é absolutamente vazia, mas eu também me sinto vazio por não ter tido estas experiências. Complicado, né? Eu inverti a lógica das coisas, pois deveria ter tido essas experiências até encontrar alguém que combinasse comigo, e então ir para o felizes para sempre, depois de passar por muitas decepções. Eu pulei para o final e agora fico eternamente pensando: e se?
Além disso hoje eu começo a repensar todo o meu planejamento com relação a filhos. Ainda acho que não tenho condições de tê-los, embora já seja formado e pós graduado, tenha minhas economias e meus planos traçados. Mas fico pensando se eu não seria mais feliz se tivesse deixado tanto planejamento de lado e engravidado a minha namorada lá atrás, sem profissão e sem dinheiro mesmo. Eu ia passar um sufoco danado, mas hoje eu teria um moleque ou uma garotinha com uns 6 anos de idade para me chamar de pai e a quem eu poderia dar muito amor e carinho (eu até chorei escrevendo isso).
É estranho, mas eu olho para os caras que tiveram filhos não planejados, fora de um casamento, e dão um duro danado para compensar esta "irresponsabilidade" e eu penso que talvez eu seria mais feliz se eu fosse um desses caras.
Talvez a vida devesse ser menos certinha, menos planejada, e mais vivida.
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2020.10.22 17:45 Antedeguemonnn Meu corpo é uma merda.

É pessoal algumas pessoas nascem feias e outras se tornam, eu sou o segundo caso kkkk, acho impressionante como o tempo me ferrou, tenho apenas 19 anos mas tenho certeza que meu corpo ainda vai se ferrar muito mais do que ele já é, segue a história. Até os 12 anos eu tinha aparência normal e até ouso dizer que era bonitinho, mais a puberdade veio para me fuder com força, nessa fase comecei a ter espinha pra cacete que duram até hoje e pra completar toda espinha que eu tinha deixava marca mesmo sem espremer, como resultado meu rosto está acabando vocês já devem imaginar como. E não acaba por aí, a maravilhosa puberdade também me trouxe ginecomastia, que de todos os meus problemas esses é o pior, no meu caso é apenas grau 1, só o mamilo é tufado, mas isso foi o suficiente pra estragar minha adolescência de vez. Graças a isso eu nem posso andar na famosa postura confiante que é com os ombros para trás e peito estufafo, acabei adquirindo uma postura ridícula com os ombros inclinados para frente. Além disso eu passei praticamente toda a minha vida escolar a partir do sexto ano usando moleton para esconder isso, até parei de ir nas aulas de educação física, e como moro em um lugar quente a situação fica ainda pior, a sorte era que as salas possuíam ar-condicionado, entretanto quando as aulas acabavam e eu tinha que esperar meus pais chegarem para me buscar todos tiraram os seus moletons e só eu ficava sofrendo com o calor por causa dessa desgraça, tudo com o intuito de esconder. Mas mesmo assim não dá para ir para todos os lugares de moleton, então quando eu saio para qualquer lugar e vou conversar tenho que ir com uma camisa normal, então quando vou conversar com alguém seja um conhecido ou um atendente as pessoas sempre dão aquela olhada pro meu peito que me destrói, vocês não tem noção, eu não posso nem usar as camisas que eu quero pois se não meus peitinhos ficam muito destacados, tenho sempre que ficar me policiando sobre qual camisa comprar. Eu até comecei a fazer academia para ver se melhorava de alguma forma mas foi inútil, só serviu para me deixar com inveja dos outros homens que não possuem esse problema, pelo menos fiquei grandão, mais enfim, só homens que tem ginecomastia sabem do que eu tô falando, isso destruiu minha autoestima, e nunca mais fiquei sem camisa desde os 12 anos, e consequentemente não vou mais para praia. Nem preciso dizer que sou BV não é? E é claro ainda tem mais problemas, eu também sofro com furúnculos de uma forma inexplicável eu já tive várias desde quando era criança e tenho até hoje, o verdadeiro problema delas são as marcas que elas deixam, como eu tive muitos furúnculos consequentemente tenho muitas marcas, principalmente nas pernas, mas ao contrário das espinha, pelo menos consigo esconder as marcas com roupa. E também para aumentar a minha feiura ainda mais eu tive uma espinha gigantesca na minha sobrancelha e quando eu finalmente me livro dela ela deixou um buraco na sombrancelha, kkkk é rir para não chorar. E para finalizar, o problema mais recente, que aconteceu durante a quarentena a minha pálpebra começou a cair, tipo a do defante, para quem conhece, kkk vai ser foda reencontrar os conhecidos, todo mundo vai se encontrar plenos e lindos, e eu vou aparecer com uma pálpebra mais caída que a outra kkkk. Já não basta eu ser introvertido, ainda sou todo lascado, vai ser foda fazer amizade na faculdade. Apesar de todos esses problemas eu não tenho mais depressão e nem penso em me matar, apesar de já ter perdido uma chance de emprego por causa da aparência, só queria desabafar mesmo, acredito que algum dia todo esses sofrimento vai ter algum sentido.
Desculpem pelo textão mais acho que se não contextualizasse não teria tanto peso, e obrigado a todos que leram.
submitted by Antedeguemonnn to desabafos [link] [comments]


2020.10.21 23:18 throwaway_201020_ Consentimento Informado no RS

Boa noite e agradeço pela atenção. Sou estudante e tenho 23 anos. Devido a dificuldade de encontrar primeiro emprego na minha área, moro com minha família.
Durante essa quarentena, venho questionando minha identidade de gênero. Olhando pro passado, vejo vários sinais que, no mínimo, a caixinha padrão designada para homens nunca me foi confortável.
Por não ter emprego e por morar com ele uma família fortemente preconceituosa(adivinha em quem eles votaram!), não tenho possibilidade de atendimento psicológico mas me sinto razoavelmente confortável na minha capacidade de explorar a minha própria identidade sozinhx. No entanto, me apavoro na possibilidade de ter que esperar para conseguir atendimento com endocrinologista quando conseguir sair daqui. Sei que muitos pedem meses de acompanhamento psicológico e tenho medo, já que não sei nem quando teria condições financeiras pra consultar com um psiquiatra frequentemente após sair de casa. Sei que tenho disponibilidade pelo sistema público, mas a possibilidade de esperar 2 anos para o começo da transição me assusta e acho difícil distinguir disforia de gênero da ansiedade e apreensão pela espera.
Em fim, gostaria de saber se, no caso de eu decidir iniciar a transição, existem endócrinos(mesmo que particulares) que facilitariam a minha vida no RS? Já não sou tão novinhx e me assusta ter que esperar pra lá de um ano após ter condições financeiras e certeza de minha decisão para começar tratamento hormonal.
Agradeço de novo desde já e para todxs que estão lendo, desejo uma ótima noite!
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2020.10.19 16:32 todorokeyshoto Talvez eu esteja apaixonado pelo meu melhor amigo

Em primeiro lugar: adorei descobrir esse subreddit porque eu só conhecia subreddits de desabafo em inglês, e nada melhor que falar sobre sentimentos em português kkkkkk. Pra vocês entenderem melhor o contexto, preciso voltar um pouco na minha vida. Enquanto eu crescia, vamos dizer por aí 11~12 anos, eu nunca tive muita facilidade em manter amizades com meninos. Na verdade, eu tive 2 bons amigos meninos, que eventualmente me trocaram por outros amigos ou só se distanciaram por coisas da vida mesmo. Eu nunca tive um melhor amigo que deixou eu ser carinhoso e afetuoso em relação a ele. Talvez por ser bem claro que eu sou bi, eles se sentiam desconfortáveis de alguma maneira. Por favor, eu não sou um assediador de amigos, eu não to aqui pra reclamar que meus amigos héteros não estão me dando bola, estou falando sobre como eu enquanto homem bi, nunca fui ensinado a ter liberdade com outros amigos homens pra demonstrar carinho. Essa cultura eu sei que é uma cultura muito masculina, independente deles respeitarem minha sexualidade, mesmo se eu fosse hétero, homens são ensinados a não aceitarem carinho de outros homens. Pois bem, agora vamos pular um pouco no tempo. Quando eu entrei no ensino médio, em 2016, fiz amizade com um menino hétero, que rapidamente se tornou um dos meus melhores amigos. Em 2017 ele se afastou um pouco porque tava passando por um momento difícil então acabou se fechando pra todos. Porém, de 2018 até hoje, nós não nos desgrudamos pra nada. Ele foi a primeira pessoa que eu vi assim que a pandemia diminui bastante na minha cidade depois de 6 meses, eu durmo na casa dele, viajo com ele, a gente sai juntos, basicamente toda lembrança feliz que eu tenho da minha adolescência é ou por causa dele ou pelo menos contém ele presente. Esse amigo é também bem receptivo de carinho, ele é meio chato com toque kkkk, porém ele não liga que eu abrace ele muito, faça cafuné, deite no colo dele, nem que eu demonstre carinho com palavras e outras ações, e ele retribui também, não na mesma intensidade que eu, mas pra ser tão grudento igual eu é difícil também kkkkk. Meu ponto é: Ele é possivelmente a pessoa que eu mais amo no mundo, que me dá carinho, que aceita o meu carinho, que me faz muito bem, eu converso com ele todo dia por horas e etc. Meus sentimentos estão ficando um pouco embaralhados. Eu não cresci sabendo diferenciar um melhor amigo de uma paixão, porque pra ser sincero, nunca fui ensinado a amar outros homens não-romanticamente, ou eu gostava de alguém romanticamente ou então era só uma amizade fria, não podia amar meus amigos, então eu não sei mais dizer o que é um sentimento de amizade e um sentimento de paixão, porque pra mim, se eu amo tanto ele, tenho tanto carinho por ele, será que isso significa que eu estou apaixonado? Sendo muito sincero, eu tenho uma desconfiança de que talvez ele tenha algum sentimento por mim, porém, meu desabafo não é sobre conquistar ele ou não, ele me dá tudo que um namorado poderia me dar, menos me beijar, então pra ser sincero, implorar por um beijo em troca de possivelmente estragar nossa amizade não faz sentido nenhum, prefiro um amigo carinhoso presente do que amigo nenhum. Meu desabafo na verdade é só uma maneira de tentar encontrar pessoas que se identificam com esse sentimento, e talvez só descobrir se vocês conseguiram descobrir essa diferença em algum momento. Obrigado todo mundo <3
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2020.10.14 12:19 DonaBruxa_Deyse Sobrenatural-Verídico

Preciso dividir isso com vocês! Relato de uma consulente que me procurou desesperada por ajuda espiritual. E irmãos de fé, me ajudem porque nunca lidei com isso não!
Eu ouvi todo o relato. Quanto mais ela contava, mais certeza eu tinha de que se tratava de SETEALEM!
Ela relatou que em maio, devido a pandemia e quarentena, sua família resolveu que seria melhor todos ficarem juntos no sítio dos pais dela, em Sorocaba. Disse que desde o momento que fazia a mala deles, uma sensação de que algo daria errado, pesava. Foi na gaveta do seu filho, que encontrou uma camiseta e um shorts que nunca, jamais vira antes. As roupas estavam sujas, eram velhas, encardidas e cheiravam mal. Nunca teve diarista em casa. Como poderiam aquelas roupas estarem ali? Perguntou pro pessoal e ninguém prestou atenção. Ninguém nunca presta. Naquele dia não estava a fim de começar a gritar tão cedo. Mas estavam todos estressados com os preparativos e ela sozinha pra fazer tudo, deixou pra lá! Enfiou as roupas numa sacola de mercado e deixou no chão, do lado da máquina de lavar na área de serviço. Ela, marido, a filha de 18 anos e seu filho de 5, saíram de São Paulo e seguiram pro interior. Durante a viagem, pra chegar no sítio, passam por uma estrada de terra. Seu filho de 5 anos disse algo que naquele momento não fez sentido algum: - Nem acredito, mãe, que estamos perto da casa do meu melhor amigo que ainda vou conhecer! Eles não deram atenção alguma pro menino. Minutos depois, ouviram um barulho como se tivessem passado por cima de algo na estrada e um dos pneus explodiu. O marido dela controlou o volante e estacionaram. Ele desceu e confirmou que o pneu tinha estourado. Ela pegou o celular pra avisar seus pais sobre o acontecido e que por isso atrasariam. Notou que não tinha sinal de rede em nenhum dos celulares. Não tinha no dela, não tinha no do marido, nem no da filha! Marido trocava o pneu e xingava porque ele nem queria ficar com a família dela! Nisso ela se virou pra trás porque percebeu que o menino estava acenando pro nada todo feliz! Sua filha começou a implicar com o irmão e disse: - Olha mãe, moleque doido! Começou já com as graças. Nisso o menino responde: - É o meu amigo! O amigo que vou conhecer. Olha mãe! Olhaaaa lá! Ela estava cansada, com fome, vontade de fazer xixi, sede e aquilo deixou ela mais puta ainda e nem se deu ao trabalho de responder os filhos. Pneu trocado, seguiram viagem na força do ódio. Uns quilômetros a frente, passaram por um posto de conveniência. Nunca vira esse posto antes. Não era a primeira vez que fazia aquele caminho. O sítio era da família desde que os avós dela casaram. Sua mãe nasceu ali. Ela foi criada ali e fez aquele caminho milhares de vezes desde bebê! Era um posto velho. Tão depredado que parecia estar desativado. Desativado se não fossem uns carros antigos também caindo aos pedaços estacionados em frente. Quem coleciona carro caindo aos pedaços?!?!? Comentou com o marido: - Meu amor, e esse posto que nunca vi na vida! Você viu?! O marido já exausto, responde: - Não prestei atenção! Mas se não viu antes é porque você é cega. Nem olha com essa cara porque você responde pra mim desse jeitinho sempre! Ela respirou fundo pra não começar uma briga ali... faltava tão pouco...perguntaria pro pai dela quando chegasse lá! E foi a primeira coisa que perguntou pro pai depois de abraçá-lo. O pai dela achou engraçado e respondeu que depois di galpão da firma tinha mais nada até chegar no sítio não. Tinha sim! Tinha porque ela viu! Mas também resolveu deixar pra lá esse assunto. A primeira semana foi uma maravilha! No final de semana seguinte, a irmã dela chegou com a família. A avó cozinha umas delícias. Os homens faziam churrasco e tomavam cerveja à vontade. O marido que não queria vir era o que mais aproveitada! A criançada brincava, pulava na piscina, corria livre, dormia e acordava tarde. Mas ela notava o filho dela meio aéreo, mais calado e não estava interagindo com os primos. Algumas vezes teve a impressão de ouvi-lo conversando/ cochichando com alguém mas quando se aproximava, ele se calava. Num sábado, resolveram fazer lasanha, mas faltava queijo, presunto, carne moída pro molho e extrato de tomate. Alguém teria que ir no mercado e pela primeira vez na vida, a filha dela se dispôs a buscar. A menina era habilitada há meses, dirigia por São Paulo, ia e voltava pra faculdade sozinha com o carro da minha cliente. E que perigo teria naquela estrada de terra, pouco ou nenhum movimento e ela iria até o supermercado mais próximo. O filho dela e os sobrinhos quiseram ir também e providenciaram suas máscaras e correram pro carro. Entregou uma nota de 100 reais pra sua filha fazer as compras. Ela me contou chorando que sua consciência pesa por ter pensado e falado pra irmã: - Graças a Deus, pelo menos por uma hora, teremos paz sem essas crianças gritando e correndo! A gente merece um pouco de silêncio sem filho gritando por mãe. A irmã dela riu e concordou.
Segundo ela, olhou no relógio na parede da cozinha, e faltava uns minutos pro meio dia.
O desespero estava pra começar!
Tinha passado uma hora desde a ida e nada dos sobrinhos e dos filhos voltarem. Resolveu ligar pro celular da filha e caia direto na caixa postal! Ligou dezenas de outras vezes e nada. Gritou o marido que estava na churrasqueira. Ele, o cunhado e o pai dela estavam bebendo desde às 8 da manhã. Quando ela relatou sua preocupação, eles não levaram a sério. Segundo os homens, as crianças logo estariam de volta...e foram beber mais. O coração dela apertou e lembrou do posto que vira na estrada, do filho acenando pro nada... não fazia sentindo, mas só pensava nisso. Tentou ligar mais vezes e como nada de atenderem, ela e a irmã pegaram outro carro e foram atrás dos filhos. De longe viram o carro que a filha dirigia encostado na estrada. Ela sentiu alívio por alguns segundos porque quando se aproximaram, o carro estava vazio. A irmã dela até aquele minuto parecia estar muito preocupada não. Porém, desceu do carro chorando. O carro estava parado sentido cidade ou seja, eles nem chegaram ao supermercado. Não tinha sinal deles! Sumiram! O celular não tinha rede, sem serviço e não tinha como pedir socorro ou ligar pra família. As pernas dela tremeram e caiu ajoelhada na terra rezando, pedindo a Deus por ajuda. Nessa hora, ela só lembrava que tinha sido ali que vira o posto de conveniência. Meio ao choro e grito contou pra irmã que vira o tal posto no caminho pro sítio. A irmã dela sem entender já gritou que nunca teve posto ali merda nenhuma. Minha cliente resolveu que iria encontrar o posto porque tinha merda de posto sim! O carro era da irmã dela que respondeu no gritou que não sairia de perto do carro, caso os filhos voltassem. Alguém tinha que avisar a família que estacavam em casa sem saber de nada! Entre gritos e mais choro, resolveram que a irmã voltaria pra avisar os outros e do sítio, ligaria pra polícia. Minha cliente esperaria no carro. Lógico que não conseguiu esperar e decidiu que procuraria por eles. Saiu com o carro que a filha dirigia. Dirigiu até o galpão da firma que tinha na estrada! Nada do posto. Fez o retorno, foi até o lugar que encontraram o carro abandonado e nada. Ela me contou soluçando que não era possível aquilo estar acontecendo. Desespero tinha atingido nível máximo! A irmã não voltava e a hora estava passando... e se ficasse noite?!?!? O que teria acontecido? Assalto? Sequestro? Nesse desespero fez o trecho até a firma, ida e volta, umas 5 vezes até cruzar com o carro da irmã. Vieram o marido, seu pai, cunhado e irmã. A avó ficou em casa, caso a polícia ou as crianças ligassem. Os homens bebados, ela e irmã histéricas! Ninguém se entendia. Depois de muita discussão quando tinham chegado à conclusão que o melhor era ir até a delegacia fazer um boletim, chega uma viatura com dois policiais. Ela tomou a frente e contou o ocorrido. Falou sobre ter visto por ali um posto de conveniência. Nessa hora os dois policiais se entreolharam. O marido dela emendou que ela era doida e que outra vez estava falando desse maldito posto. Um dos policiais, muito calmo contou que apesar de não existir nenhum posto naquele trecho, não era a primeira pessoa a relatar ter visto um. Sem contar muitos detalhes, falou que também não era a primeira, nem segunda vez que pessoas se perdiam e desapareciam naquela estrada! Os polícias pediram para que todos seguissem até a delegacia. Minha cliente e o marido, foram no carro encontrado na estrada e os outros, no carro da irmã. Na delegacia, um boletim de ocorrência foi feito. Mas todos os policiais ao ouvirem o relato, se entreolhavam de modo muito estranho. Só minha cliente notou. A polícia deveria esperar 24 horas após o desaparecimento pra iniciar as buscas! Um daqueles dois policiais que atenderam a ocorrência na estrada, disse baixinho pra minha cliente ficar calma que as crianças apareceriam. Porque todos tinham voltado de lá! Ainda na delegacia, ligavam de minuto a minuto pro sítio com esperança de receber boas notícias. Saíram da delegacia, por volta das 23 horas, ligaram mais uma vez pro sítio no caminho de volta. Nada! Ela e o marido não trocaram uma palavra...ambos choravam! Porém, ao estacionar o carro, ouviram as vozes das crianças e da avó. Ela sentiu um alívio e entrou na casa, agradecendo a Deus. Quando correu pra abraçar os filhos, paralisou. Impossível! Era impossível seu filho estar vestindo o shorts e a camiseta que ela tinha tirado da gaveta e deixado dentro de uma sacola deixada no chão da lavanderia, na sua casa em São Paulo! NÃO ERA POSSÍVEL!
Relato das crianças e da filha:
A filha contou que enquanto dirigia pro supermercado, viu o posto de conveniência, seu irmão, o filho da minha cliente de 5 anos, ao ver o tal lugar pediu pra parar ali! Ele pediu tanto, apelou usando “ por favorzinho” que convenceu a irmã a parar pra comprar tudo ali mesmo. O estacionamento da tal conveniência estava lotado de carros antigos. Seria melhor deixar o carro na estrada. Pensou que fosse um desses encontros de colecionadores de carros antigos. Nunca tinha visto nenhum daqueles modelos antes! A menina ainda relatou ter pensado em como alguém compraria ou colecionaria “uns trem” tão mal cuidado, caindo aos pedaços?!?!?!?!? Mas que só poderia ser coisa de”véi” mesmo. Entraram todos no estabelecimento e “bizarro” foi o termo usado ( pela filha dela) pra descrever o local e as pessoas! -Era um povo feio, tudo com pele amarela de doente, dentes podres, os homens e as sobrancelhas grossas e unidas... inclusive a de todas as mulheres! Até as crianças eram horrorosas... Crianças tinha fisionomia de velhas e sofridas! O lugar fedia! Fedia podre! Uma barulheira, todo mundo berrando, tocava uma música que ela não conseguia explicar. Era um ruído que estava grudado na cabeça dela. A música era um xiado fino, alto que dava a impressão de estar tocando dentro do corpo dela. A música machucava o seu pensamento. Era uma penumbra... uma luz que não iluminava e era difícil enxergar as coisas... ela tinha que forçar os olhos, piscar algumas vezes até distinguir os objetos ao redor. Objetos que nunca vira! Não dava pra imaginar a utilidade deles! Eram muitos corredores e prateleiras cheias de comida e coisas sem sentido! Enquanto se concentrava pra lembrar tudo que precisava comprar pra lasanha, a música dentro dela apagava as palavras. Ela fechou os olhos e forçou a memória... Talvez a força do seu pensar fez a música parar. Fez as pessoas pararam de gritar! Sentiu as maozinhas dos seus primos agarrarem sua mão e sua roupa. Ela sabia que estava chorando. Disse: - Mãeeeeee, fiquei com medo de abrir os olhos porque eu senti o peso daquele povo bizarro encarando a gente. Só abri porque ouvi um deles( referindo a um dos primos) dizer meu nome! Quando abri os olhos, meu irmão tinha desaparecido. Ele tinha sumidoooooo!!! Mãeeeeee, ele sumiu e não foi culpa minha... foi um segundo! As luzes começaram a piscar. Era uma luz sem cor, parecia que estávamos dentro de uma das fotografias daqueles binóculos da vovó! E as pessoas apontavam o dedo na nossa direção, gritando...eles gritavam sem mexer a boca: INTRUSOS, SAIAM DAQUI! SAIAM DAQUI! SAIAM DAQUI! VOCÊS NÃO PODEM FICAR AQUI, SAIAM DAQUI! Eu olhei pra uma senhora que estava bem próxima de nós e pedi ajuda. Contei que precisava comprar o que a mae nos pedira ... perguntei se ela tinha visto pra onde fora meu irmão. Mostrei o dinheiro! Ela riu!Quando ela abriu a boca sem nenhum dente, senti um bafo tão podre que o vômito quase saiu! Os primos estavam chorando, tremendo agarrados em mim! Comecei a chamar ele ( irmão/filho 5 anos)... e os bizarros, outra vez começaram : INTRUSOS, SAIAM DAQUI! SAIAM DAQUI! SAIAM DAQUI! VOCÊS NÃO PODEM FICAR AQUI, SAIAM DAQUI!
Eu não conseguia me mexer. Não dava pra andar!
E a música entrou em mim outra vez, mais alta e barulhenta! Minha cabeça doía e achei que desmaiaria. Nunca desmaiei... nas sabia que estava pra cair dura no chão! De repente, mas um de repente que pareceu horas, meu irmão aparece de mãos dadas com um bizarro tamanho criança. Ele veio dizendo que era o amigo que ele disse que conheceria aquele dia no carro no futuro. O bizarro chegou perto da gente dizendo que também me conhecia! Que já tinha falado que ( o filho de 5 anos) deveria fazer comigo o que (ele, bizarro!) tinha feito com a irmã dele! Eu puxei ele( apontou pro irmão) pra perto da gente! Mãe, ele não queria vir com a gente! Disse que ficaria com o amigo lá. Aí eu fiquei louca, fui arrastando todo mundo pra fora! O bizarro amigo dele, disse pra eu não falar alto porque “O ALGUEM”poderia acordar e pegar a gente pra ele! Eu mirei o rumo da porta, comecei a correr, as crianças também e o bizarro atrás da gente. Tinha escurecido. Era noite! Tinha neblina, um frio que esfriou meus ossos. Daí a gente correu muito! A gente corria e não chegava nunca até a estrada! Mas quando conseguimos, eu olhei, eu pisquei pra ver melhor e o carro tinha sumido. Sumidooooooo! O carro não estava mais lá! Sentamos no meio fio, meu irmão chorando porque queria voltar pra ficar com o amigo, os primos pedindo pela tia! Eles tremiam e batiam os dentes de frio! Entrei em pânico,porque como eu explicaria que perdi o carro, não comprei as coisas! Foi aí, que vi você mamãe, passar na nossa frente dirigindo nosso carro. Gritamos, corremos atrás de você, acenamos e você não olhou! Você não ouviu a gente gritar! Maeeeeee, você foi e voltou, foi e voltou, foi e voltou! Depois passou a tia em outro carro com o pai,o vovô e o tio! Mãe e tia, vocês nos ignoraram na beira da estrada. E aquela peste do moleque bizarro, de longe morrendo de rir da gente e gritando BEM FEITOOOOO! Como se não bastasse tudo isso, começou a ventar forte e a tempestade começou a cair. Ficou mais frio e a gente não conseguia respirar de tanta água que caia. A solução foi vir a pé, estrada escura, com chuva...Andamos até aqui!
OS SOBRINHOS:
-A gente ficou com muito medo! - Eu fiquei com tanto, tanto medo que fiz xixi na calça. -Eram monstros! - Eles queriam comer a gente! -Você não viu?!?!? Eles iriam picar a gente pra vender como carne moída! -Sera?!? E choraram muito. Ainda não conseguem dormir sozinhos em seus quartos. A luz tem que ficar acesa! Quando dormem, têm pesadelos e acordam aos berros!
O FILHO DE 5 ANOS:
-Mãe, foi legal. Sabia que meu amigo morava ali? Eu disse! Ele me visitava as vezes nos sonhos. Mesmo quando eu sonhava acordado e de dia! Hoje, a gente brincou de esconde-esconde e pega-pega!Fui na casa dele e comi comida lá! Sujei minha roupa de sangue e a mãe dele me emprestou essa. Essa roupa é do meu amiguinho! Ela falou que vai lavar a minha e depois trazer aqui pra você! Me convidaram pra ir lá outras vezes, passar as férias. Falei que pediria pra mamãe e pro meu papai! Foi super legal e meu amigo disse que já tinha me visto lá no futuro muitas vezes e que morarei com eles pra sempre! Pra sempre é muito tempo? Posso, mamãe? Deixa, por favorzinho?Por favorzinho? Eu convidei ele pra vir aqui amanhã brincar comigo, tá? Se você falar com a mãe dele, ela poderia deixar ele dormir aqui, né?!?!? Deixa, por favorzinho... diz que sim, mamãe!
Voltaram TODOS PRAS SUAS CASAS EM SÃO PAULO no dia seguinte, assim que o dia clareou. Os pais dela colocaram o sítio à venda e moram com ela, por enquanto. Minha cliente acredita que existe um lugar além. Ela tem certeza absoluta e provas disso! Está apavorada. Seu filho fala, brinca, canta, dá gargalhadas e afirma que o amigo está ao lado dele! Assim que entrou na sua casa em SP, correu até a lavanderia. Ela encontrou as roupas que seu filho usava no dia do sumiço. Estavam dentro da sacola, ao lado da máquina de lavar!
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2020.10.08 01:46 CasaGolden A escolha do favor de Sansa: O caso de Sir Byron, o Bonito (Parte 2)

A seleção de Byron também apresenta uma oportunidade para Martin explorar os paralelos muito convincentes com o Torneio da Mão quando Baelish apostou contra um cavaleiro que havia recebido o "favor" de Sansa. A confiança de LF em suas conspirações é uma reminiscência de sua certeza no Torneio da Mão sobre a razão pela qual o Cão perderia para Jaime, contada através do ponto de vista de Ned:
– Cem dragões de ouro pelo Regicida – Mindinho anunciou sonoramente quando Jaime Lannister entrou na arena, montando um elegante cavalo de batalha baio puro-sangue, que trazia uma cobertura de cota de malha dourada, e Jaime cintilava da cabeça aos pés. Até a lança tinha sido feita com a madeira dourada das Ilhas do Verão.
– Está apostado – gritou de volta Lorde Renly. – Cão de Caça traz hoje um ar faminto.
Mesmo os cães famintos sabem que não é boa ideia morder a mão que os alimenta – Mindinho gritou secamente. (AGOT, Eddard VII)
Mindinho ficou mais sábio desde então? A raiva mal contida de Sor Lyn Corbray argumentaria que não; ele se esqueceu de que cães famintos podem de fato morder ou mesmo ferir seus donos. Sua conversa com Alayne após a partida do trio no AFFC fornece evidências adicionais de que ele manteve a mesma mentalidade equivocada o que pode ter garantido involuntariamente sua própria queda:
– Cavaleiros andantes? – Alayne perguntou, quando a porta foi fechada.
Cavaleiros famintos. Achei melhor termos mais algumas espadas à nossa volta. Os tempos tornam-se cada vez mais interessantes, minha querida, e quando os tempos assim são, nunca se pode ter espadas demais. O Rei Bacalhau regressou a Vila Gaivota, e o velho Oswell tinha algumas histórias para contar. (AFFC, Alayne II)
Durante o Torneio da Mão, vimos Sansa através do ponto de vista de seu pai apoiando silenciosamente o Cão de Caça durante sua partida com Jaime. Ela assiste a justa "com os olhos úmidos e ansiosos", de acordo com Ned, e depois declara "Eu sabia que o Cão iria vencer". Antes desse evento, Sandor tem a tarefa de acompanhar Sansa de volta a seus aposentos e no caminho eles desenvolvem uma conversa profunda que marca uma nova fase no relacionamento dos dois. Há todos os motivos para acreditar que o apoio de Sansa a ele durante essa justa foi por ela saber a verdade de como ele foi ferido por Gregor e a afinidade que surge entre os dois é resultante dessa revelação. Sansa até previu que ele seria o campeão quando ele salvou Loras Tyrell da ira de Gregor. Para reiterar, Mindinho perde sua aposta para Sansa no Torneio da Mão, pois ele acha que o Cão de Caça será muito cauteloso para derrotar seus senhores Lannisters. Isso fornece um paralelo esclarecedor ao que podemos ver acontecer durante o torneio dos Cavaleiros Alados, onde temos Harry, o Herdeiro, como o cavaleiro em que Mindinho fez suas apostas, confiante de que ele conseguiu obter a cumplicidade de Alayne na trama, e provavelmente mais alguns truques na manga para garantir que Harry ganhe um lugar entre os cavaleiros alados. Harry, portanto, assume o papel de Jaime Lannister nesta comparação. Como terminou a justa de Sandor Clegane e Jaime? Bem, aqui está a passagem:
Cão de Caça conseguiu manter-se sobre a sela. Fez seu cavalo dar meia-volta com dureza e regressou à arena para a segunda passagem. Jaime Lannister atirou ao chão a lança quebrada e apanhou uma nova, brincando com o escudeiro. Cão de Caça esporeou o cavalo para um galope duro. Lannister avançou para enfrentá-lo. Dessa vez, quando Jaime Lannister mudou de posição, Sandor Clegane mudou com ele. Ambas as lanças explodiram, e quando os estilhaços assentaram, um baio puro-sangue sem cavaleiro trotava para longe em busca de grama, enquanto Sor Jaime Lannister rolava na terra, dourado e amassado.
Jaime Lannister estava de novo em pé, mas seu ornamentado elmo de leão tinha sido torcido e amassado na queda, e agora não conseguia tirá-lo. A plebe gritava e apontava, os senhores e as senhoras tentavam abafar o riso, sem conseguir, e, sobre toda aquela algazarra, Ned ouvia o Rei Robert às gargalhadas, mais alto que todos os demais. Por fim, tiveram de levar o Leão de Lannister a um ferreiro, cego e aos tropeções. (AGOT, Ned VII)
Agora considere como isso se encaixa com o que Sansa deseja para Harry depois que ele foi rude com ela durante a conversa inicial quando ele chegou aos Portões:
A armadura de uma senhora é a sua cortesia. Alayne podia sentir o sangue correndo em direção a seu rosto. Sem lágrimas, ela rezou. Por favor, por favor, eu não posso chorar. “Como desejar , sor. E agora, se me dão licença, a bastarda de Mindinho deve encontrar o senhor seu pai e informá-lo de sua chegada , para que possamos começar o torneio pela manhã.” E que seu cavalo tropece, Harry, o Herdeiro, para que caia com essa cabeça idiota no chão na primeira justa. Ela mostrou aos Waynwoods um rosto de pedra, enquanto eles proferiam desculpas desajeitadas por seu companheiro. Quando eles terminaram, ela se virou e saiu. (TWOW, Alayne I)
Sansa essencialmente deseja que aconteça a Harry a mesma coisa que vimos acontecer com Jaime quando ele cai e não consegue tirar o capacete de sua cabeça. Será que vamos ver uma cena semelhante em que Harry realmente acaba machucado na terra, humilhado no torneio pelo campeão de sua noiva? O fato de ele agora estar associado a dois Lannisters certamente não inspira confiança de que veremos um casamento ocorrendo entre ele e Sansa como Baelish está apostando.
Em última análise, o que Mindinho parece fundamentalmente incapaz de compreender é que as pessoas são motivadas por outras coisas além do dinheiro. Mesmo alguém tão insensível e frio como Sor Lyn quer uma senhoria e não simplesmente meninos para saciar seu desejo. O que homens e mulheres honrados querem? Aqueles que se lembram dos laços de lealdade, honra familiar e possuem valores que não podem ser comprados ou negociados? Homens como Bronze Yohn e aqueles que estão se arrastando pela neve para resgatar a "garota de Ned" em Winterfell? Ao contrário de LF, é Sansa que vimos empregando suas habilidades empáticas para determinar os verdadeiros desejos das pessoas e inspirá-las para fins melhores.
Como um intrigante aparte, seria negligente não mencionar a teoria de Ragnarok, um dos colaboradores do Pawn to Player, onde ele compara a contratação de LF de três cavaleiros errantes aos três Kettleblacks que estavam protegidos em Porto Real para espionar Cersei e Tyrion e reportar a Mindinho em segredo. Na citação acima sobre "cavaleiros famintos", vimos que Oswell tem "algumas histórias para contar", já que o Rei Bacalhau voltou para Vila Gaivota, provavelmente devido ao conflito que se desenrolava entre Cersei e a Fé em Porto Real e como seus filhos foram implicados . Ragnorak analisa em uma discussão de nossa teoria sobre Morgarth:
Mindinho está espelhando Cersei com ela contratando os três Kettleblacks e seu plano para esconder Tommen. Eu vinculo isso à sua traição a Ned, onde outro Lorde Protetor se viu sem um exército em meio a intrigas políticas. Pode muito bem haver o tema aqui de que as “fraquezas” das façanhas de Mindinho são mais inerentes às necessidades de um Senhor com bens para defender do que algo nascido da tolice. É um jogo diferente quando você tem algo a perder, propriedades para proteger e está no radar de todos os outros. Voltando ao nosso maluco atual, se os paralelos Cersei são intencionais, então ver esses três cavaleiros como figuras pseudo-Kettleblack pode ser útil, especialmente porque nos foi dado o suficiente para saber que pelo menos um tem motivos ocultos.
Com grande poder vem grande responsabilidade e o aspecto mais notável do capítulo pode ser o quão ausente LF está do início ao fim. Apesar de ele claramente ainda estar no comando como o Lorde Protetor, é Alayne que vemos com a considerável liberdade de movimento, notando a queda da lealdade de Sor Lyn ao pai, e ter uma primeira impressão muito angustiante do rapaz com quem ela deve se casar ansiosamente. Indiscutivelmente, são as palavras bruscas de apoio de Lothor Brune - "Ele é apenas um escudeiro arrogante" - que lhe dão mais conforto do que a lisonja ameaçadora de LF. A maior fraqueza de Baelish no Torneio da Mão é sua obsessão por Catelyn Stark que ele transferiu para sua filha. Ninguém está em posição de explorar essa fraqueza melhor do que Sansa, e escolher um cavaleiro para usar seu favor pode ser o primeiro passo crucial para obter o controle de sua própria rede de aliados que se reuniram nos Portões.
Mindinho não tem motivos para suspeitar do belo cavaleiro andante Sor Byron - na verdade, pelo que parece, Sansa está seguindo seu conselho à risca, escolhendo “algum outro galante” para mostrar favor em vez de dar a seu prometido a honra esperada. Além disso, como estabelecemos, ele pensa que "cães famintos sabem que não é boa ideia morder a mão que os alimenta" e, em sua avaliação, Byron é seu cavaleiro faminto, cujas necessidades básicas podem ser satisfeitas com moedas, alojamento e comida, como ele serve para proteger o domínio de LF no Vale de quaisquer ameaças externas. No entanto, essas ameaças externas conseguiram entrar, apesar do alardeado isolamento e segurança da região, e Byron pode vir a ser uma figura-chave nesta oposição, juntamente com Sor Morgarth e o Rato Louco.
Mindinho ignorou a relutância de Sansa em se casar novamente; sua relutância em aceitar seus beijos e toques “paternais”; seu completo desinteresse pelo tipo de pretendente que Harry, o Herdeiro, representa. Apesar de todo o seu jogo astuto, ele pode ser deliberadamente cego quando se trata de questões do coração, levando-o a uma autodestrutividade que ficou evidente em seu desafio quase fatal com Brandon Stark pela mão de Cat. Suas maquinações no torneio representariam a terceira vez que ele perdeu, no sentido de que o objeto de sua afeição escolheria outra pessoa para usar o favor. Seria um desenvolvimento tematicamente adequado se, assim como foi um dos três Kettleblacks que ele contratou - Osney, no caso - que levou à prisão de Cersei pela Fé, a queda do próprio Mindinho fosse provocada por um dos três famintos cavaleiros que ele também contratou.
Em conclusão, apesar de decorrer da fugaz questão sobre a verdadeira identidade de Byron, esta teoria não propõe uma resposta, mas sim atesta o papel que ele pode desempenhar no arco de Sansa como um aliado dela junto com Sor Morgarth e Sor Shadrich. Em última análise, seja ou não Morgarth realmente o Irmão Mais Velho ou Shadrich seja Howland Reed, há evidências suficientes no texto que sugerem que esses homens contribuirão para desfazer os planos cuidadosamente traçados de Mindinho. Vimos Shadrich emergir de um segundo plano para envolver Alayne em uma conversa, e todos os três fazem questão de dançar com ela no banquete. O pouco que sabemos sobre Byron o estabelece como a escolha natural a ser selecionado por sua aparência e provável habilidade como um jovem cavaleiro em seu auge. Não tendemos a pensar nos favores femininos como armas de Tchekhov* em potencial, mas Martin forneceu provas abundantes de torneios anteriores que esses eventos podem ter centelhas de intrigas e desenvolvimentos inesperados. Byron, o Bonito, poderia ser o tipo certo de combinação.

* "Anton Tchekhov (1860-1904) foi um médico, dramaturgo e escritor russo que estabeleceu uma regra utilitarista sobre todas as coisas mostradas em uma obra de entretenimento: um objeto apresentado ao público deve ser utilizado em algum momento da trama, caso contrário, ele deve ser removido para não causar distrações. Claro, se o objeto foi introduzido como uma manobra de diversão, não há problema. Tchekhov utilizou o exemplo da arma que deve ser disparada, mas poderia ser qualquer outro objeto, pessoa, magia, sonho, contexto e etc. " https://atitudereflexiva.wordpress.com/2019/06/05/a-arma-de-tchekhov/
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2020.10.05 16:24 Guiiuggot O festim dos corvos e A dança dos dragões

Precisava fazer um tópico para discutir sobre estes livros.
São os livros que mais sofrem hate dos fãs. Eu fico indignado. São os livros que mais gosto e vou defender até o fim.
Preciso que alguém me ajude a defender cada arco da história.
Mostrar que cada capítulo tem um motivo.
Acabei de reler os livros e eu já gostava deles antes, mas agora eu gosto muito mais. Esses dois livros são muito melhores na releitura, quando você já sabe o que vai acontecer na história e para e observa os detalhes maravilhosas da história. Parece que os fãs só querem coisas chocantes e reviravoltas a todo momento, sem ligar para a construção de mundo e desenvolvimento dos personagens. Foi justamente por isso que a série terminou onde terminou, não acham?
Os capítulos mais injustiçados são: Brienne, Samwell, Aeron, Arys, Tyrion, Daenerys, Quentyn.
Brienne: Um dos mais injustiçados, as pessoas dizem que acham chato, nada acontece, pulam os capítulos, acham irrelevantes, etc. Numa releitura percebemos o quão importantes são os capítulos dela. Ela está inicialmente indo procurar Sansa Stark sem saber onde procurar, mesmo podendo estar em qualquer lugar do mundo inteiro. As chances de encontrar ela são quase nulas. Neste caminho nós podemos ver as consequências da guerra, a vida dos plebeus, conhecer sobre a história de Westeros e casas menores. Conhecemos a ponta da garra rachada, Lagoa da Donzela, Valdocaso... A parte do septão Meribald e da ilha quieta é muito linda e emocionante e um discurso maravilhoso no final. Vemos o Cão de caça. Aparição do Gendry, descobrimos mais sobre a personalidade e vida pessoal de Brienne (o quão ela é boa, justa e inocente), inclusive descobrimos que ela é descendente de Duncan, o Alto. Temos a presença de Senhora Coração de Pedra. E a luta dela contra Rorge e Dentadas maravilhosa e assustadora. Temos também a rápida aparição de Shadrich que depois terá muita importância na história de Sansa no vale no próximo livro. Vemos também o Randyll Tarly, Podrick, Dick Crabb e suas histórias. Muito bom apreciar a natureza e muitas vezes os capítulos que parecem sem importância são repletos de dicas e foreshadowings que posteriormente farão mais sentido. Fico chateado quando alguém fala que não acontece nada nestes capítulos.
Arys: Pode parecer sem sentido nenhum ter um capítulo de um personagem quase sem importância e depois acaba morrendo. Poderia ser um capítulo de Arianne. Mas eu acho que serviu para mostrar a luta interna para manter os votos e também causar mais impacto na futura morte. Não consigo defender muito. Me ajudem a defender. Só sei que adoro qualquer pov novo.
Tyrion: Também amei o arco do Tyrion, esse livro foi ótimo para a história dele, sinceramente. Vemos o lado mais cinzento e até mesmo um pouco vilão de Tyrion. Eu amo Tyrion mais malvadinho. Depois do que a série fez com o personagem, transformaram ele em burro, bobo e sem graça, bonzinho e que se preocupa com o povo. Sério? Um dos personagens que mais mudou na série para mim. A inteligência do Tyrion na série foi se perdendo, a série sempre dizendo que Tyrion é a pessoa mais inteligente e não mostra isso. Nos livros ele continua tão inteligente quanto sempre. As conversas com Illyrio são ótimas, a viagem no rio Roine é maravilhosa, as cidades da antiga civilização roinar. Os homens de pedra e o mistério de porque eles passaram pela ponte duas vezes. As tartarugas são ótimas. A apresentação de Jon Connington, Aegon, Lemore e etc. Depois temos a passagem em Volantis e a viúva do cais. Moqorro, e Penny. Também adorei a parte de Yezzan zo Qaggaz e seus favoritos e Ben Plumm. Ele praticamente selou a futura dança dos dragões.
Daenerys: O arco de Meereen é muito bom nos livros. É muito julgado por ser intediante e por nomes difíceis. Eu digo que os fãs são muito racistas e eurocêntricos em relação aos enredos de Essos. Os nomes ghiscaris são geralmente chamados de Hazoo. Sério mesmo? Diminuir uma cultura inteira a nada? Queriam que os nomes fossem iguais aos westerosis? O arco de Meereen inteiro é muito bem construído e desenvolvido. Eu mesmo já falei que AMO os nomes ghiscaris. É luta de Daenerys para manter a paz e a própria luta interna entre o lado Mhysa e Fogo e sangue. Reclamaram de muitos personagens, mas não vejo ninguém reclamar de muitos personagens em Westeros. As pirâmides são lindas. Mostra os reflexos da abolição da escravidão. Mostram várias companhias mercenárias e como funciona uma guerra. Mostra como realmente é governar uma cidade. Como lidar com terrorismo e doenças. Dragões causando problemas. Casar com uma pessoa que você não gosta. E lembrar que ela é apenas uma adolescente e também tem desejos e por isso temos o Daario para nos mostrar isso. É desenvolvimento de personagem. Temos o capítulo da arena e o último capítulo dela que são maravilhosos. O capítulo do Xaro Xhoan Daxos é um dos meus favoritos, onde ele joga a realidade na cara dela e eu amo o jeito como Xaro tenta persuadir. Uma de minhas personagens favoritas de Meereen que é Galazza Galare (Graça Verde). O mistério de quem envenenou os gafanhotos. As aparições de Quaithe, Skahaz mo Kandaq e suas ambições e mostrar que temos várias famílias em Meereen e que elas tem história e uma pode odiar outra, não são todas iguais. Vemos as crianças nobres. As diferenças culturais. Tramas políticas são ótimas não só em Westeros. Melhora muito quando você já conhece os personagens e não confunde mais o Reznak mo Reznak e o Skahaz mo Kandaq.
Quentyn: Uma história tão legal que acaba em tragédia. O pessoal diz que é uma história sem importância. Mas eu tenho certeza que a morte dele terá muitas consequências futuramente. Serve para mostrar que nem sempre as aventuras dão certo. Enfim, tem um texto falando sobre o arco de Quentyn. Eu acho um personagem muito necessário.
Aeron: Nos mostra mais sobre a religião do Deus afogado, política das ilhas de ferro e basicamente nos mostrar Euron. Além de ser dono de um dos melhores capítulos dos livros: The Forsaken. Eu adoro este personagem.
Alguém está disposto a defender os capítulos de Samwell?
Estava pensando em reler todos os livros novamente desde o primeiro livro e comentar um por um aqui no subreddit. Já vi que isso acontece nos outros fóruns de fora. Será que teria engajamento? Ou ninguém participaria? O objetivo seria tomar o nosso tempo até chegar Os ventos do inverno, manter a mente afiada para o próximo livro e apreciar cada capítulo por mais chatos que possam parecer. Se não quiserem não tem problema. Só dando ideias.
Edit: Além de que é nestes livros que a escrita de George RR Martin está muito melhor. Com o passar do tempo acho que a escrita dele se desenvolveu muito (opinião).
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2020.10.04 14:34 AJGolias Swing, Menage e o Mundo colorido (Liberal)

Olá pessoal tudo bem?
Recentemente vejo que existem muitas pessoas falando sobre fazer ménage, swing e entrar no mundo liberal, estou abrindo este tópico para fazer umas ressalvas sobre o assunto.
Os indivíduos que decidem ir para o lado colorido da vida geralmente estão muito bem confortáveis na vida amorosa, geralmente são pessoas que ja tem algum tempo de relacionamento e sabem que aquilo ali é apenas diversão, e que não vão trocar o parceiro por uma vagina ou penis alheio...
Essa porta, do mundo liberal, é uma porta sem tranca, uma vez que você abriu, ela sempre estará aberta, tanto para homens quanto para mulheres...e é aqui que reside o perigo
Então se voce e sua parceira(o) estão pensando entrar neste mundo, por favor, sentem e conversem muito, não sejam afobados, porque ja vi muitos relacionamentos (tanto homo afetivos quanto hetero) se desintegrarem quando as pessoas caem no mundo colorido.
Se voce mora em uma cidade grande, vá a uma casa de swing, conheça as pessoas o ambiente... converse com outras pessoas do meio e deixe claro que são iniciantes, não há nada de errado em ser iniciante (apesar de alguns correrem de casais iniciantes), e principalmente respeitem os limites do seu parceiro.
Se conseguirem se estabelecer, vão encontrar um inacreditável mundo novo, com muita gente bacana, e vai se assustar na quantidade de adeptos que existem, sem falar no sexo inacreditavelmente bom e como de forma engraçada o relacionamento vai a outro patamar.
Fica aqui a dica. Fiquem bem.
Não briguem, faça sexo.
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2020.09.27 19:12 leodellapasqua Luz em Kiev

Gente preciso de ajuda, eu tenho salvo essa história de Kiev mas não encontro ela em nenhum lugar, eu gostaria de encontrar o criador dessa história se puderem me ajudar segue a baixo a história
Luz em Kiev
sec 2002 meu nome não importa estou aqui pra contar uma história da minha familia tenho descendência alemã e meu falecido avô lutou na guerra ele voltou meio pirado, sabe? é comprovado que alguns soldados voltam com trauma da guerra mas ele foi diferente ele nunca mais falou e nunca mais piscava o olho os olhos sempre pareciam que procuravam alguma coisa e ele nunca andou sem a Lüger dele eu nunca vi ele sem aquela pistola voltando a historia é da familia, mas quem contou a primeira vez foi um amigo dele, que lutou junto só eles dois sobraram o amigo dele também tava abalado se matou alguns meses depois de voltar pra casa mas vamos começar tudo começou na invasão da Rússia meu avô era parte de um pelotão condecorado, eles tinham lutado na Polônia e na França e quase ninguém tinha morrido eles eram respeitados por todo mundo, até os soldados de elite viam eles como iguais por causa dessa fama, os planos mais difíceis ficavam com o pelotão do vovô mas até aí tudo bem a invasão começou eles estavam destroçando os russos e já estavam lutando a algumas semanas um dia contataram o comandante do pelotão tinha um floresta em um pântano soviético perto de Kiev todo mundo que entrava lá não voltava então ne lá foram eles falaram que quando chegaram lá na frente todo mundo se arrepiou não passava nenhuma luz na floresta o ar parecia mais pesado um barulho pior que o outro mas o pior, pelo que disseram era que, ocasionalmente eles ouviam gente gritar até às vezes vinham uns tiros antes e o pelotão do vovô nunca soube de onde vinha ou quem eram mas, missão era missão começaram com o básico o pelotão tinha um panzer(tanque) de estimação o nome dele era "Alt Frau" significa Velha Senhora aquele panzer e a tripulação eram vividos o tanque era cheio de furo, arranhão mas a marca dele eram as esposas de cada tripulante pintados na frente do tanque estimulava os pilotos, sabe? se acertasse o tanque, acertaria as mulheres isso motivava os caras mas voltando mandaram o tanque primeiro ficaram esperando na frente da floresta, e deixaram o tanque rodar um pouco vocês devem estar pensando "mas um tanque não atola no pântano?" eu também perguntei isso mas como eu já disse a tripulação era vivida só atolariam se errasem e eles nunca erravam o tanque começou a rodar de noite o pelotão fez um acampamento na beira e esperou só ouviam o barulho do motor a floresta não fazia som nenhum passou algumas horas, e só o som do motor os soldados ja tinham até acostumado por isso estranharam quando tudo ficou quieto o tanque parou e o motor foi desligado todo mundo se entreolhou a Velha Senhora achou alguma coisa e ficou muito tempo assim os homens ficaram nervosos ansiosos a floresta continuava quieta apenas o estalar da fogueira quebrava o silêncio então o grave som de uma explosão o tanque disparou eles ouviam a MG34 do tanque disparando e não parava olharam pra floresta, e viam alguns clarões dos tiros e ouviam o comandante gritando se eram ordens ou não, ninguém sabia mais um tiro do canhão a MG não parava de atirar e então silêncio os clarões pararam a MG parou o canhão não disparou mais o motor não ligou silêncio o mais puro e tortuoso silêncio os soldados estavam nervosos uns suavam, outros seguravam a arma com força alguns ja tinham comecado a orar, baixinho e um grito ecoa pela floresta um grito de dor, sofrimento passou cortando por nós dentro da gente despertando medo agonia terror. um grito de desespero. quase animalesco o canhão dispara mais uma vez para nao mais aquela noite. os homens esperavam a ordem era o panzer voltar ao amanhecer nenhum de nós teve a coragem de dormir seja por medo ou respeito ao tanque ninguém dormiu . . . meio dia. o tanque não voltou o clima entre o pelotão tava ruim quase ninguém falava se falassem era um cochicho muito baixo e continuou assim até o anoitecer quando chegaram novas ordens agora a infantaria ia la dentro todos se olharam mas ordem é ordem prepararam as coisas e foram 50 soldados entraram na floresta e foram avançando estranhamente, os passos não faziam barulho não havia o farfalhar das folhas os galhos quebrando não havia som algum. só pararam de andar quando ficou escuro mas tão escuro, que não dava pra ver a própria arma ninguém tinha se atrevido a acender um sinalizador >para conseguir enxergar então meu avô falou, pela primeira vez desde que os soldados entraram ele apenas chamou os homens pra perto e quem tivesse acendesse um sinalizador ouviram o raspar do pavio do sinalizador três vezes a luz vermelha ia ficando mais forte e foram chegando perto uma da outra os soldados que seguravam a luz sentaram e esperaram os outros chegar também meu avô chegou sentou mais alguns chegaram e ninguém falou nada a luz estava estranha ela estava muito forte mas não iluminava eles conseguiam enxergar só os companheiros e vagamente, ainda os sinalizadores estavam apagando e só tinham 6 soldados eles nem se perguntaram nem se tocaram so formaram um círculo e acenderam mais um sinalizador não falaram nada então uma risada bem longe nada grotesco, ou histérico uma risada comum aquela risada, de quando contam algo engraçado pra você bem calma, a risada ia chegando perto os homens prepararam as armas não dava pra saber de onde vinha só que chegava perto até que o dono da risada apareceu atrás do vovô era um soldado russo todo maltrapilho roupa rasgada todo sujo e ria olhando pra luz sem tirar os olhos dela ria, igual criança quando ganha presente mas seus olhos não sabiam dizer se era felicidade ou loucura mas ele chorava ria e chorava a boca ria, expressava felicidade mas os olhos você via apenas loucura então ele parou de rir mas manteve o sorriso no rosto e disse algo em russo bem baixinho e passou a mao na cabeça do vovô igual quando você faz carinho em uma criança que está triste bem calmo, bem leve ele andou um pouco para trás com o sorriso no rosto puxou uma pistola do coldre e apontou pra própria cabeça e repetiu as palavras de antes então puxou o gatilho. ele não fez barulho quando caiu no chão. os soldados se olharam levantaram a risada do russo presa a cabeça deles o sorriso gravado na mente mas só o meu avô estava com medo ele era o único que falava russo e foi o único que entendeu "Luz. É bonita. Pena que acenderam" e eles continuaram a andar. . . . horas se passaram andando às cegas sem ver onde pisavam quando meu avô bateu em alguma coisa e caiu no chão deu um grito pra avisar que achou alguma coisa mas não pediu pra acender a luz. foi apalpando a coisa era de metal e grande sentiu uns arranhões era a Velha Senhora. não aguentou mandou acender um sinalizador talvez essa seja a coisa que ele mais se arrependa >em toda a guerra. alguém do lado dele acendeu e ele pode ver o gigante de ferro cheio de corpos em cima. um ja estava caído no chao os outros pareciam que estavam querendo fugir estavam mutilados destroçados e havia pânico nos seus rostos. subiram no panzer foram ver la dentro e, quando o vô abriu a escotilha alguém gritou. o piloto ainda estava la dentro com a perna mutilada e uma pistola na mão seus olhos expressavam loucura. ele não falava. o soldado do sinalizador chegou mais perto pra ver e inclinou o sinalizador pra ver lá dentro o piloto se apavorou começou a gritar pra apagar, enquanto se contorcia >pra tirar o sinalizador da mão dele o soldado se afastou, meio assustado enquanto o piloto ficava cada vez mais apavorado pedindo para apagar meu avô tentava acalmar o piloto mas ele se debatia, gritava, xingava então ele pegou a arma e atirou no soldado. meu avô gritou e apontou a própria arma pro piloto enquanto o corpo do outro soldado caía do tanque o piloto parou de gritar só chorava e no meio do pranto, perguntou, bem baixinho "por quê vocês acenderam?" e ficou chorando e repetindo até que alguma coisa balançou o tanque todo mundo se calou os soldados que restavam, prepararam as armas em volta do tanque silêncio ouviram uma respiração pesada de dentro do tanque ouviam um suave farfalhar como se alguma coisa estivesse se arrastando o piloto olhou para cima para meu avô só havia tristeza em seus olhos "corra. Por favor." e ficou repetindo meu avô estava paralisado o piloto é puxado para o fundo do tanque para a escuridão ele começou a gritar, enquanto disparava com a pistola meu avô pulou do tanque e começou a correr os outros seguiam ele correndo e, no meio da correria o piloto parou de gritar. parou de atirar. e o sinalizador no chão ao lado do corpo do soldado. . . . correram por muito tempo só pararam quando não aguentaram mais correr tentaram se encontrar na escuridão quando finalmente encontrou alguém acenderam um sinalizador o coração do meu avô parou só pensava no que o russo e o piloto disseram olhou em volta só tinham mais dois além dele se perderam dos outros? sentaram no chão meu avô tirou a ração de combate da mochila e começou a comer não porque queria ele estava sem fome nenhuma mas ele precisava os outros fizeram o mesmo. comiam, olhando pra luz em silêncio. . . . ouviram gritos e tiros parecia um outro grupo levantaram correndo e foram na direção dos tiros o tiroteio continuava mas quanto mais perto eles chegavam mais raros ficavam os sons quando chegaram lá ja não tinha mais nada. de repente um pouco a frente deles um soldado alemão acendeu um sinalizador estava sangrando, mancando com a arma na mão jogou o sinalizador no chão seus companheiros estavam no chão mortos. dilacerados. olhava em volta aflito meu avô e o grupo dele olhavam de longe o soldado continuava procurando alguma coisa deu uma rajada na floresta e, em um piscar de olhos alguma coisa grande pulou da floresta antes que ele se virasse ja tinha sido levado à escuridão não teve tempo nem de gritar. agora havia apenas um sinalizador e corpos no chão. silêncio. . . . meu avô apoia no ombro do seu amigo e o sinaliza para ir eles se viram dão de frente com o outro soldado ele continua olhando pra frente os olhos arregalados nem se mexe meu avô o chama ele nao se mexe chamou novamente sem resposta meu avô puxa ele ele cai no chão suas costas estão abertas atrás dele alguma coisa grande essa parte ninguém sabe sempre que tentavam falar meu avô chorava e o amigo dele travava eles nunca conseguiram falar disso. pelo que sabíamos, por alguns desenhos era gigante tinha pelos escuros mas era esquelética não tinha olhos e dentes do tamanho de uma mão. ao vê-lo eles travaram ninguém se mexia o medo os impedia de mexer qualquer músculo a coisa chegou perto do vovô e se inclinou chegou perto do rosto dele muito perto aquilo não fazia som nenhum só estava ali parado o sinalizador começou a apagar e nenhum dos três se mexia até ficar a escuridão total e a coisa a centímetros do rosto do vô ficaram ali sem se mexer no silêncio. . . . não sabem quanto tempo passou mas uma hora ouviram vozes distantes mas vozes e uma luz vermelha ao longe fraca mas o suficiente para ver a silhueta daquilo ainda parada ali então, ela se virou e foi na direção da luz. lentamente até sumir entre as árvores. e eles continuaram ali parados. só acordaram com os gritos e os tiros vindos da direção da luz começaram a correr inconcientemente, só corriam meu avô parou quando uma luz o cegou e sons muitos esperou os olhos acostumarem e olhou em volta saiu da floresta. alguns instantes depois, seu amigo mas o vô não riu nem chorou nem falou nada ele não expressava nada estava sério com os olhos levemente arregalados e ficou assim até o último dia de sua vida preso naquele momento naquele infernal momento que ele nunca mais esqueceu
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2020.09.26 03:46 amyciax Me sinto sufocada...

Bom, estou escrevendo pois preciso desabafar e não tenho ninguém e nem confio em alguém. Já faz 1 ano que me sinto inútil, puta, boba etc.. Meu problema é o amor, só me machuca. Tudo começou há exatamente 1 ano e 9 meses, me apaixonei pelo motorista de ônibus que passava perto de onde eu estudava, ele sempre me encarava me retrovisor...Um dia teve um evento na escola em que eu estudava e eu fui falar com ele para perguntar horário e daí começamos a conversar e ficar cada vez mais próximos, o tempo foi passando e eu queria algo a mais, porém nunca comentei nada, uns 6 meses depois eu descobri que ela tinha esposa, quando eu descobri foi um "choque" tão grande e eu chorei muito, mas muito mesmo...Depois disso nunca mais fui a mesma, eu fui me encontrar com ele depois de 1 semana, perguntei a ele sobre sua esposa e ele tentou se explicar de todas ás formas, disse várias coisas fofas, conseguiu me manipular, e eu desculpei ele... Ele me pediu em namoro e eu aceitei, ele era muito ciumento comigo, eu não podia falar de outros meninos, elogiar, conversar com outros meninos que ele já mandava eu me respeitar falava que isso era coisa de puta, várias coisas do gênero e cada vez eu me sentia mal, sufocada por não poder contar dele pros meus amigos/família e magoada por ele querer me controlar e me esconder de quase todos, mas eu não conseguia me afastar dele, sempre que tentava dava errado e eu voltava para ele. Quando foi um tempo depois ele trocou de linha e eu não encontrei mais ele, conversávamos apenas por mensagem, um dia a mulher dele me ligou várias vezes de madrugada e várias mensagens me xingando de tudo que é nome, eu me senti muito pior do que eu já estava, ela me contou que ele disse que eu era só uma rapariga dele, depois ele tentou se explicar para mim e reclamou que eu mandei os print da minha conversa com ele para ela, acreditei nele mais uma vez e lá vou eu de novo, mas para o alivio de algumas pessoas e meu também, eu não fiquei com ele consegui ver a burrice que eu estava fazendo. Com o tempo fui me recuperando, passou 2 meses e eu ainda amava ele, tentei outros caras, mas não rolava. Eu comecei a esquecer ele depois de ter conhecido um menino da barbearia aqui perto onde moro, faz um tempinho que eu conheço ele, mas só tínhamos conversado quando fui cortar o cabelo lá. Começamos a ficar próximos e aí nós ficamos, mas foi muito rápido, ele queria me encontrar na casa dele, mas enrolei ele e nem fui... Quando foi na outra semana, eu desconfiei que ele tinha namorada pq ele se preocupava dms com as pessoas que iria me ver, então eu ignorei esse fato e fui lá para barbearia perguntar se ele tinha namorada, mas quando cheguei lá, perdi a coragem de perguntar, então ficamos dnv no banheiro, ele queria algo a mais, mas não facilitei para ele, depois quando já estava perto das 19hrs, fui embora cheguei em casa e fui pesquisar o instagram dele, e tinha lá na bio dele o @ dela e essa menina eu vi ela pessoalmente uma vez quando fui lá, na hora que vi eu fiquei chocada não acreditei que estava acontecendo tudo dnv, eu entrei em desespero e chorei muitoo, eu acho que eu gosto dele, mas vou tentar de tudo para não cair no papinho dele.. Eu estou tão magoada, pq sempre são pessoas que já estão em relacionamentos? Pq todos os homens só tem segundas intenções comigo? Eu não aguento mais... Pode parecer drama, mas isso me machuca muito e me faz muito mal, eu sou bastante ansiosa e emotiva, acho que isso pode me levar para uma depressão...
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2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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